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    Melhores Poemas de João Cabral de Melo Neto (Coleção Melhores Poemas) - Seleção de Antonio Carlos Secchin

    João Cabral de Melo Neto

    Global
    2003
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-10: 852600025X
    Português Brasileiro
    3.7
    194 avaliações
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    Diplomata de carreira, João Cabral de Melo Neto serviu na Espanha, Inglaterra, França, Senegal. Situado cronologicamente na geração de 45, ocupa posição isolada no panorama histórico da poesia brasileira, pela sua personalidade ímpar, sua linguagem enxuta, as imagens predominantemente visuais, o desenho dos poemas, que parecem traçados a régua e compasso. A crítica aponta-o como o ponto máximo da poesia brasileira do século XX, ao lado de Carlos Drummond de Andrade. Um autor difícil? Sim e não. Ou melhor, um poeta que exige uma certa iniciação. Como observa Antonio Carlos Secchin no prefácio aos Melhores Poemas João Cabral de Melo Neto, "para o leitor acostumado à lírica de tradição romântica, nada mais inusitado do que a poesia deste autor tão avesso ao confessionalismo, à saturação subjetiva de suas mensagens." A poesia de João Cabral, como sugere o próprio poeta, divide-se em duas águas. Na primeira linha predomina a pesquisa da criação poética, o rigor formal, o repúdio a qualquer nota sentimental ou interferência do irracional, que se desenvolve a partir de O Engenheiro (1945), até A Escola das Facas (1980), incluindo Uma Faca só Lâmina (1955) e Museu de Tudo (1975). A outra grande vertente é a crítica social, ácida, mas sem qualquer nota panfletária ou demagógica, na qual persistem todas as constantes da primeira linha, mas com uma contundência de faca, uma faca só lâmina. O processo, iniciado com O Cão Sem Plumas (1950), se acentua em O Rio (1954) e Morte e Vida Severina (1955), reaparece em Dois Parlamentos (1960) e Agrestes (1984), e como que se depura no Auto do Frade (1984). Convém ainda salientar a presença obsessiva da Espanha, ao longo de toda a sua obra, desde Paisagens com Figuras (1955), Quaderna (1959), Serial (1961) até Crime na Calle Relator (1987) e Sevilha Andando (1990).

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    Resenhas (5)Ver mais
    Rodolfo Italo picture
    Rodolfo Italo05/02/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Conheci alguns poemas de João Cabral de Melo Neto durante meu ensino médio (2008-2010), através do professor de literatura Johnny Formiga. Essa seleção de poemas feita por Antônio Carlos Secchin é o meu primeiro contato com o poeta pernambucano desde então. O livro reúne diversos poemas, na maioria deles João Cabral monta/descreve lugares e paisagens de Pernambuco (sobretudo do Recife). "O Relógio" e "Catar Feijão" foram poemas que de cara lembrei de tê-los lido e estudado na escola, assim como o maravilhoso auto - e inevitável destaque do livro -, "Morte e Vida Severina", que retrata a trágica sina dos retirantes do Recife. Os poemas de João Cabral parecem livres do rigor dos padrões de métrica e ritmo, o contrário de como geralmente são poemas e poesias. O poeta também migrava tranquilamente entre os versos livres e os versos rimados. E quando rimados, eram compostos em sua maioria por rimas imperfeitas toantes. Confesso que muitas vezes a ausência da métrica e de ritmo nos versos dificultou a minha leitura, mas nada que diminuísse a beleza presente nos poemas.

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    João Cabral de Melo Neto

    Poeta e diplomata brasileiro cuja obra, caracterizada pelo rigor estético, avessa a confessionalismos e marcada por rimas toantes, inaugurou um novo fazer-se poesia. Irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo, primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, foi amigo do pintor Joan Miró e do poeta Joan Brossa. Membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras, foi agraciado com vários prêmios literários, incluindo o prestigiado Prêmio Neustadt de Literatura. Quando morreu, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.

    61 Livros
    300 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    João Cabral de Melo Neto