Um romance de pesquisa. Foi com essa sensação que eu terminei Esquilos de Pavlov. O encontro com Laura Erber foi diferente, totalmente inesperado. Afinal, não é isso que procuramos em todo o livro ao entrar na primeira página, sermos surpreendidos?
Infelizmente, minha incompetência não permitiu que eu achasse uma unidade narrativa. E olha que eu tentei mais de uma vez, mas não consegui. Não sei definir do que se trata o romance e talvez seja exatamente esse o objetivo da autora: brincar com as possibilidades e torná-las subversivas.
Ciprian, nosso narrador-protagonista, é um típico personagem que você só vai conhecer na literatura e isso dá a ele um caráter singular, além de um interesse superficial imediato.
E tudo é uma loucura aqui. Lembre-se: o livro é de uma autora brasileira que escreve sobre um jovem romeno aspirante a artista que participa de bolsas artísticas pela Europa que relembra em alguns trechos fragmentados de momentos e personagens históricos, tudo em meio a muita estranheza. A verdade é que Laura, que também é artista visual e assim como seu protagonista fez residências em vários lugares da Europa, quer abordar essencialmente as impossibilidades da arte contemporânea. Sim, não é pouca coisa e não é simples. E isso também se dá pelas escolhas estéticas dela. Ao intercalar com fotografias um texto que já tem uma divisão bem clara, Laura questiona limites: onde está situada a literatura na Arte? Em que ponto o velho torna-se obsoleto e o novo toma o seu lugar? São dessas dúvidas teóricas, praticamente acadêmicas, que se constrói o romance. Laura quer desafiar a forma e cabe aos leitores comprar essa briga ou não - eu não comprei, por exemplo.
Precisamos falar do uso das fotografias que intercalam a narrativa, que foi um problema real para mim. Eu sinceramente não vejo sentido algum na escolha das fotos e muito menos justificativa para a presença delas. Quase todas me pareceram gratuitas e fora de contexto. Não serviram, se esse era um dos propósitos, para fazer com que eu parasse e pensasse nelas, até porque eu ignorei quase todas, pois somente o texto, esse sim muito bem trabalhado e com uma progressão notável, me interessava.
Esquilos de Pavlov foi meu primeiro livro com dedicatória, portanto, será sempre lembrado com afeto. Apesar de gostar da prosa da Laura, não é o tipo de livro que eu daria de presente, apesar de reconhecer que ela, como uma artista contemporânea, se destaca pelo desafio. Leia por sua conta e risco (talvez valha a pena).