O Retrato de Dorian Gray -

    Oscar Wilde

    Globo
    2013
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788525054135
    Português Brasileiro

    Quando O retrato de Dorian Gray foi publicado pela primeira vez em forma de livro, em 1891, era uma versão substancialmente alterada do romance original de Oscar Wilde. Considerado muito ousado para sua época, já tinha sido editado quando publicado em série na revista literária Lippincott’s, em 1890, e depois ainda foi alterado pelo próprio Wilde, que, em resposta às duras críticas, fez sua própria edição para a publicação em livro. Assim, a versão original, tirada do manuscrito de Wilde, nunca havia vindo a público. Nicholas Frankel, professor de Inglês na Universidade de Virginia, teve acesso ao original datilografado de Wilde, revisitando e restaurando o romance como foi pensado originalmente. The Picture of Dorian Gray: An Annotated, Uncensored Edition foi finalmente publicado pela Harvard University Press e agora sai pela Primeira vez no Brasil, pela Biblioteca Azul. O estabelecimento do texto feito por Frankel incluiu os trechos em que Wilde tratava da homossexualidade de maneira mais aberta, constituindo, assim, nas palavras do organizador, “uma versão que Oscar Wilde gostaria que estivéssemos lendo no século XXI”. Frankel também incluiu em sua edição centenas de notas que situam o romance em sua época, além de traçar, paralelamente ao texto, uma espécie de biografia de Wilde, centrando nos episódios de sua vida que foram consequências da sua exposição feita no romance. “Dorian Gray é um arauto do século 20 − um arauto da modernidade", disse Frankel. “O livro faz a transição da era vitoriana para o moderno e Wilde pagou um preço muito alto por isso.” O livro: Londres, início do século XX, três personagens: Lord Henry, um bon vivant inescrupuloso e amoral; o pintor Basil Hallward, um artista até certo ponto liberto dos preconceitos da época, mas ainda zeloso de aparentar tê-los; e o jovem Dorian Gray, filho da aristocracia, rico e, sobretudo, muito belo. É com esses elementos que Oscar Wilde compõe o cenário de um dos mais importantes romances da língua inglesa da virada do século XX, O retrato de Dorian Gray. Seduzido pela admiração que ele próprio causa nos dois amigos, e, sobretudo, pela própria beleza retratada por Basil, Dorian tem um momento do pacto faustiano: faz um juramento dizendo que daria tudo, inclusive sua alma, para que ficasse sempre jovem e belo. Assim, enquanto o retrato exibe todo o efeito de degeneração moral, e vai “envelhecendo”, Dorian mantém-se belo e jovem, apesar de toda vileza, das maldades e da falta de escrúpulos que vai adquirindo. Oscar Wilde desenvolve essa sua espécie de mito de Fausto com um estilo incomum, tiradas morais ferinas e frases que se tornaram lapidares na história da literatura mundial. A elegância da escrita, a crítica ao jornalismo da época e a crueza do julgamento da hipocrisia da sociedade o tornaram, no calor do lançamento, um clássico instantâneo, apesar da dureza com que foi recebido pela crítica literária e, claro, pelos moralistas de plantão. EDIÇÃO ANOTADA E NÃO CENSURADA

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    Matheus Facure picture
    Matheus Facure30/04/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Peguei esse livro para ler na falta de outro. Tinha acabado de encomendar um pela Saraiva e até que ele chegasse eu precisava de uma coisa para ler. E achei The Picture of Dorian Gray em uma estante perdida na casa. E só. Sem pretensão nenhuma. "There is no such thing as a moral or an immoral book.Books are well written, or badly written. That is all(...) We can forgive a man for making a useful thing as long as he does not admire it. The only excuse for making a useless thing is that one admires it intensely. All art is quite useless." Prefácio de The Picture of Dorian Gray, by Oscar Wilde Isso foi até eu ler esse prefácio. Assim que eu terminei a última palavra a única coisa que me vinha na cabeça era: porra! Esse livro deve ser bom pra caralho! E eu ficava repetindo as linhas do prefácio sem nem sequer entender a magnitude que elas introduziam. Para alguns, ela provavelmente parecem coisa de parnasiano, e sim, de fato há uma intensão muito forte de fazer Arte pela Arte em Wilde, mas seu livro não é superficial. É a sabedoria do Final do Século traduzida em letras. Foi incrivelmente difícil, para mim, localizar o livro na história da literatura. Não encaixa em nenhum período que estudamos na escola (mais tarde, descobri que pertence ao Fin de siècle, caso alguém tenha curiosidade). Mas isso não vem ao caso. The Picture of Dorian Gray é um livro para ser principalmente apreciado, embora estuda-lo também deve ser fascinante. "He felt that the time had really come for making his choice. Or had his choice already been made? Yes, life had decided that for himlife, and his own infinite curiosity about life. Eternal youth, infinite passion, pleasures subtle and secret, wild joys and wilder sinshe was to have all these things. The portrait was to bear the burden of his shame: that was all." O tema não é novo na literatura: um homem que vende sua alma. Porém a abordagem é impressionante. A alma do jovem e belo burguês não se corrompe de uma vez, ela vai decaindo aos poucos e é uma sensação muito esquisita poder acompanhar visualmente toda essa transformação. Também, parece que com ele, decai toda a sociedade britânica. Psicologicamente falando, nenhum personagem é realmente ético. Toda a idealização romântica e beleza platônica caem por terra quando vemos as mentes por trás delas. Há muito poucos personagens planos. Quase sempre reparamos na hipocrisia por trás deles. É bem verdade, também, que o livro pode ser provocador aos mais conservadores; Wilde previa esta recepção, de modo que nas próprias páginas do livro ele satiriza os moralistas, dizendo que não passam de hipócritas. Alias, essa é a crítica principal que o livro trabalha: a hipocrisia - Dorian mesmo é um tremendo hipócrita. Obviamente, choveram criticas ao escritor pelos homens de seu tempo. No proprio livro, Wilde responde à ferrenha crítica dizendo que as pessoas não o apreciam por ver nele seus pecados mais íntimos e sua natureza mais reprimida representados com palavras. Outro ponto interessantíssimo do livro, mas que chegou a me chatear, e a quantidade de aforismo da sabedoria wildiana. Há uma personagem, Harry, que praticamente fala apenas em aforismos. De fato, é interessante para entendermos qual filosofia de vida se forma do jovem Dorian, mas não deixa de parecer uma fonte de onde pseudointelectuais pegam suas citações para impressionar. Muitos dos aforismo são puramente paradoxais, coisa que pseudointelectuais adoram. Alias, uma curiosidade, enquanto a maiorias do escritores queria ser compreendida, Wilde tinha pavor de sê-lo. Mas Wilde era de fato uma personalidade ambígua, alem de ser inteligente e foda de mais, ao passo que os falsos inteligentes de hoje só querem se mostrar complicados. Por isso, a leitura de The Picture os Dorian Gray é um ótimo recurso para desmarcaras metidos, entender o pensamento do final do século XIX e ainda conhecer um tipo de literatura totalmente diferente da nossa. Mas você ainda pode estar se perguntando: Tá e eu com isso? Bem, todo o que eu escrevi foi só para mostrar como este livro pode ser um exemplo da Arte pela Arte sem ser superficial. Fora isso, ainda tem a estória que é muito de mais legal do que a maioria dos livros clássicos. Oscar Wilde nunca pede que concordamos com o que ele escreve, apenas que apreciemos tudo isso. É... com certeza, um dos livros mais fodas que eu já li.

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