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    Teatro de Álvares de Azevedo - Macário / Noite na Taverna

    Álvares de Azevedo

    Martins Fontes
    2002
    222 páginas
    7h 24m
    ISBN-10: 8533615752
    Português Brasileiro
    4.2
    11 avaliações
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    Álvares de Azevedo foi o nosso escritor romântico mais ousado e original. Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, que fizeram do nacionalismo literário uma bandeira de luta, ele trilhou um caminho próprio, afastando-se da nossa paisagem e mergulhando nas águas profundas da literatura de um Byron, de um Goethe, de um Hoffmann, para buscar modelos que lhe permitissem falar das dissonâncias da alma humana. Nos textos reunidos neste volume, o leitor conhecerá um escritos que nada tem a ver com o bom-mocismo romântico. Em Macário, o personagem que dá título ao livro é um jovem cético, cínico e melancólico. Satã é seu companheiro de jornadas e orgias. E sua curta existência é marcada pela busca desenfreada de prazeres. Em Noite na taverna, cinco rapazes embriagados narram suas histórias incomuns, lembrando experiências de vida assustadoras, recheadas de crimes, incestos, fraticídios, necrofilia e antropofagia.

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    Alan Martins17/08/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O Gótico nacional

    Álvares de Azevedo teve uma vida curta. Com apenas vinte anos partiu deste mundo, deixando como legado uma rica produção que percorre o conto, a poesia, o teatro e o ensaio. Teve uma boa educação e formação acadêmica. Sempre nutriu um enorme interesse pela arte e, sobretudo, inspirou-se em Shakespeare, Goethe e Lord Byron. Na literatura brasileira, situa-se na segunda fase do romantismo, a geração dos ultrarromânticos. AMIZADE DO CÃO ‘Macário’ é uma peça teatral dividida em duas partes, elaborada muito mais para ser lida do que encenada. Na primeira parte, o personagem Macário, que está viajando, chega a uma estalagem, onde encontra um estranho com o qual inicia um diálogo. Logo esse estranho revela ser ninguém menos que Satã, e leva o protagonista a uma viagem a São Paulo, expondo as partes ‘podres’ da cidade. Trata-se de uma composição repleta de dualidades: pureza/impureza, amor/lascívia, além de um grande cinismo da parte de Satã. Outra dualidade é a realidade em oposição ao sonho, pois, quando Macário acorda no dia seguinte, não tem certeza de que tudo aquilo realmente aconteceu (o final do ato é chocante). A segunda parte se passa na Itália, onde há reflexos da primeira, bem como um novo personagem, Penseroso, que vai se opor a Satã, visto que possui características angelicais. Todavia, de certo modo, o Diabo reaparece e leva Macário a uma taverna, onde espiam pela janela o que está acontecendo lá dentro, tarde da noite. O leitor notará que a primeira parte da peça é uma obra-prima do teatro brasileiro, apresentando maior polidez e acabamento que a segunda. O autor morreu precocemente e não teve a oportunidade de revisar e finalizar seus escritos. Seus livros são publicações póstumas. NOITE DAQUELAS Escrita sob o pseudônimo Job Stern, ‘Noite na taverna’ é uma reunião de contos interligados (seis, no total). O primeiro capítulo é uma apresentação do cenário e personagens. Após uma orgia numa taverna, todos os presentes estão bêbados, a maioria dormindo, espalhados pelo chão. Até que resolvem relatar situações pelas quais passaram, uma mais ‘cabeluda’ que a outra. Só coisa leve: necrofilia, antropofagia, assassinato, adultério e incesto. Os contos podem ser considerados de horror, um ótimo exemplo de literatura gótica, à maneira de Edgar Allan Poe. Azevedo foi um expoente da segunda fase do romantismo brasileiro, entretanto, não estava interessado em estabelecer uma literatura nacional e passou longe do bom-mocismo. Suas composições emulam muito bem o estilo de correntes europeias, de escritores que ele admirava. Embora sejam distintas, ‘Macário’ e ‘Noite na taverna’ são obras interligadas. Ao final da peça, Satã levou o protagonista a uma taverna, que é a mesma onde os personagens estão narrando suas histórias. Ou seja, tudo está ocorrendo em sincronia! Pelo jeito o Tinhoso não se cansou de mostrar o ‘pecado’ ao jovem Macário. SOBRE A EDIÇÃO Brochura, capa com orelhas, miolo em papel Avena (não está especificado, mas parece), diagramação confortável. Há um estudo introdutório de Antonio Candido, — que também ajudou no estabelecimento do texto, realizado com bastante zelo, — e uma cronologia sobre a vida de Álvares de Azevedo. O estilo do autor foi mantido, por isso a pontuação, às vezes, parece estranha. Atualizaram somente a ortografia — que hoje está desatualizada, já que a edição da Martins Fontes é de 2002. As obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo estão disponíveis em PDF no site Domínio Público (dá um Google aí). Você não precisa gastar nada para ler! CONCLUSÃO Triste pensar naquilo que Álvares de Azevedo poderia ter produzido se não tivesse falecido tão cedo. Demonstrou incrível maturidade literária em juventude. ‘Macário’ e ‘Noite na taverna’ não estavam polidas, sequer finalizadas, e a despeito disso são consideradas grandiosas, uma para o teatro, outra para o conto. Escritor talentoso, ousou abordar temas que ainda hoje são considerados delicados. Em pouco tempo atingiu um nível elevado, tornando-se ótimo exemplo da literatura gótica e do horror (olha que nem estou considerando sua poesia). Leitura recomendadíssima, assim como a bela edição da Martins Fontes. Visite meu blog para ler outras resenhas!

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    Manuel Antônio Álvares de Azevedo

    Filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Mota Azevedo, passou a infância no Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos. Voltou a São Paulo (1847) para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde desde logo ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias. Destacou-se pela facilidade de aprender línguas e pelo espírito jovial e sentimental. Durante o curso de Direito traduziu o quinto ato de Otelo, de Shakespeare; traduziu Parisina, de Lord Byron; fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano (1849); fez parte da Sociedade Epicureia; e iniciou o poema épico O Conde Lopo, do qual só restaram fragmentos. Não concluiu o curso, pois foi acometido de uma tuberculose pulmonar nas férias de 1851-52, a qual foi agravada por um tumor na fossa ilíaca, ocasionado por uma queda de cavalo, falecendo aos 20 anos. A sua obra compreende: Poesias diversas, Poema do Frade, o drama Macário, o romance O Livro de Fra Gondicário, Noite na Taverna, Cartas, vários Ensaios (Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla), e a sua principal obra Lira dos vinte anos (inicialmente planejada para ser publicada num projeto - As Três Liras - em conjunto com Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães). É patrono da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras. Atualmente tem suscitado alguns estudos acadêmicos, dos quais sublinham-se "O Belo e o Disforme", de Cilaine Alves Cunha (EDUSP, 2000), e "Entusiasmo indianista e ironia byroniana" (Tese de Doutorado, USP, 2000); "O poeta leitor. Um estudo das epígrafes hugoanas em Álvares de Azevedo", de Maria C. R. Alves (Dissertação de Mestrado, USP, 1999). Suas principais influências são: Lord Byron, Goethe, François-René de Chateaubriand, mas principalmente Alfred de Musset. Um aspecto característico de sua obra e que tem estimulado mais discussão, diz respeito a sua poética, que ele mesmo definiu como uma "binomia", que consiste em aproximar extremos, numa atitude tipicamente romântica. É importante salientar o prefácio à segunda parte da Lira dos Vinte Anos, um dos pontos críticos de sua obra e na qual define toda a sua poética. É o primeiro a incorporar o cotidiano na poesia no Brasil, com o poemas Ideias íntimas, da segunda parte da Lira. Segundo alguns pesquisadores, Álvares de Azevedo que teria escolhido o título "As Três Liras", pois havia uma garota - que até hoje ninguém sabe a identidade, muito bem escondida pelo Dr. Jaci Monteiro - que tocava esse instrumento. Figura na antologia do cancioneiro nacional. E foi muito lido até as duas primeiras décadas do século XX, com constantes reedições de sua poesia e antologias. As últimas encenações de seu drama Macário, foram em 1994 e 2001.

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    São Paulo, Brasil

    Manuel Antônio Álvares de Azevedo