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    Viagem ao Araguaia (Obras Imortais da nossa Literatura) -

    Couto de Magalhães

    Três
    1974
    199 páginas
    6h 38m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.3
    7 avaliações
    Leram9Lendo2Querem10Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos0Desejados10Avaliaram7

    Uma volta no tempo de 141 anos é necessária para termos uma boa noção de como era o jornalismo do Brasil e como agiam os jornalistas brasileiros em meados do século 19, em plena monarquia, época em que, como se sabe, a imprensa dava seus primeiros e tímidos passos em busca de autonomia. Naqueles velhos tempos, a maioria absoluta dos jornalistas exercia o nobre ofício de registrar os fatos sem que a atividade fosse reconhecida como profissão. Muitos nem sabiam que praticavam o jornalismo. O livro "Viagem ao Araguaia", publicado pela primeira vez em 1863, é resultado das anotações de uma excursão exploratória através do rio Araguaia feita pelo presidente da Província de Goiás, José Vieira Couto de Magalhães, um jovem sertanista de 26 anos, que também era historiador, geógrafo, antropólogo e estadista. Couto de Magalhães bacharelou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1859. No ano seguinte, defendeu tese de doutoramento na mesma faculdade do largo São Francisco. Foi um mestre do jornalismo. Impulsionado pela necessidade de localizar um novo local para a capital da Província de Goiás, já que a cidade de Goiás dava nítidos sinais de saturação, depois de passada a euforia do ciclo do ouro e da ascensão sempre crescente das fazendas de criação de gado, Couto de Magalhães aproveitou o ensejo para demonstrar que a sua tese de navegabilidade do caudaloso e bonito rio do centro brasileiro, com suas praias arenosas, flora e fauna abundantes, era viável e talvez fosse a grande saída para o necessário progresso de uma região estagnada e carente de todos os recursos. O Araguaia, fonte inesgotável de deliciosos e saudáveis peixes, seria uma grande via natural para escoamento das riquezas produzidas na região e também de outras províncias vizinhas. Couto de Magalhães acreditava que isso era perfeitamente possível.

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    Maria Carolina23/12/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Muito além de um diário de bordo... a construção do país na Viagem ao Araguaia

    Entrar nas páginas de Viagem ao Araguaia, de Couto de Magalhães, é como aceitar um convite para desbravar um Brasil que ainda se sentia imenso, misterioso e profundamente desconhecido. Esta obra é um verdadeiro monumento da nossa literatura de exploração e me fez lembrar imediatamente de uma experiência parecida que tivemos aqui na coleção com os relatos de D. João Câmara, especialmente naquela tentativa de mapear a alma humana e o território. No entanto, enquanto Câmara focava nas fatias da vida urbana e social, Couto de Magalhães expande esse horizonte para a imensidão das nossas águas e matas, transformando o relato de viagem em um estudo antropológico e político de uma riqueza absurda. O que mais brilha neste livro é a figura do próprio Couto de Magalhães, um homem que não estava apenas "passando" pelo Araguaia, mas tentando decifrar o Brasil profundo. A escrita dele é vibrante e carrega aquela autoridade de quem viveu cada corredeira e cada encontro com os povos indígenas. A comparação com outras obras de exploração da época mostra como ele era um visionário, pois ele não olha para o interior apenas como um lugar a ser explorado economicamente, mas como o berço de uma identidade nacional que precisava ser integrada e compreendida. Ele descreve a fauna, a flora e os costumes com uma precisão que nos faz sentir o calor da viagem e o peso da responsabilidade de quem carregava o futuro do país naquelas canoas. A narrativa flui com uma grandiosidade que poucas obras técnicas conseguem alcançar, justamente porque Couto de Magalhães era um intelectual de mão cheia que sabia misturar o rigor do diário de bordo com reflexões filosóficas sobre o progresso e a civilização. Ler sobre as suas navegações pelo Araguaia é perceber o quanto a nossa formação territorial foi feita de suor, coragem e uma curiosidade intelectual que hoje parece rara. É um livro que brilha pela sua honestidade e pela forma como coloca o leitor diante da natureza bruta, forçando a gente a pensar no Brasil como um projeto ainda em construção. Para quem gosta de entender as raízes do nosso território e a mente dos homens que ousaram mapeá-lo, esta leitura é indispensável. A classificação indicativa fica em torno dos 14 anos, pois exige um pouco de paciência para acompanhar os detalhes geográficos e o contexto histórico do Império, mas a recompensa é um entendimento muito mais amplo de quem somos. É uma obra que merece ser lida com respeito, pois cada página é um pedaço da nossa própria terra sendo revelada.

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    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas29%
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    José Vieira Couto de Magalhães

    José Vieira Couto de Magalhães (Diamantina, 1 de novembro de 1837 — Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1898) foi um político, militar, etnólogo, escritor e folclorista brasileiro. Nasceu na província de Minas Gerais na fazenda Gavião, na cidade de Diamantina. Seus pais eram Antônio Carlos de Magalhães, capitão e comerciante de pedras preciosas, e Tereza Antônio do Prado Couto Vieira, dona de casa. Ambos os pais de Couto de Magalhães eram de ascendência lusitana, sendo o pai, Antônio Carlos, português de fato. Durante o Segundo Reinado foi governador das províncias de Goiás, Pará, Mato Grosso e São Paulo. Morreu em 14 de setembro de 1898, aos 61 anos de idade, de sífilis, doença da qual padecia desde os 52 anos anos de idade, quando já era governador de São Paulo. Couto de Magalhães conhecia bem o interior do Brasil e foi o iniciador da navegação a vapor no Planalto Central. Foi conselheiro do Estado e deputado por Goiás e Mato Grosso. Foi presidente das províncias de Goiás, de 8 de janeiro de 1863 a 5 de abril de 1864, Pará, de 29 de julho de 1864 a 8 de maio de 1866, Mato Grosso, de 2 de fevereiro de 1867 a 13 de abril de 1868, e São Paulo, de 10 de junho a 16 de novembro de 1889, presidência que ocupava quando foi proclamada a república. Preso e enviado ao Rio de Janeiro, foi liberado em reconhecimento da sua enorme cultura e ações em prol do desbravamento dos sertões brasileiros. Foi afiliado a maçonaria durante o cargo. Falava francês, inglês, alemão, italiano, tupi e numerosos dialetos indígenas. Foi quem iniciou os estudos folclóricos no Brasil, publicando O selvagem (1876) e Ensaios de antropologia (1894), entre outros. Fundou em 1885 o primeiro observatório astronômico do estado de São Paulo, na sua chácara em Ponte Grande, às margens do rio Tietê.

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    Minas Gerais, Brasil

    José Vieira Couto de Magalhães