A Cidade e as Serras (Clássicos Ateliê) -

    Eça de Queiroz

    Ateliê Editorial
    2008
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788574803807
    Português

    Escrito na fase final da vida de seu autor, A Cidade e as Serras (1900) é uma alegoria irônica e muito atual sobre o culto do progresso e das novidades da ciência e da tecnologia. Nesta pequena obra-prima, um dos pontos altos do humor queirosiano, encontram-se sintetizadas as virtudes técnicas e temáticas que fazem de Eça de Queirós um dos autores mais representativos do século XIX em Portugal. A narrativa conta a estória de Jacinto de Thormes, moço de família portuguesa que nasce e se cria numa suntuosa casa em Paris, onde, entre todos os presumíveis benefícios da civilização, leva uma vida elegante e repleta de prazeres. Todavia, só conhece a felicidade plena quando se estabelece nas terras simples do interior de Portugal, onde se casa e tem filhos. Por meio desse romance insinuante, Eça de Queirós oferece uma resposta metafórica a uma velha questão colocada pela cultura européia sobre a verdadeira fonte da felicidade. Segundo o texto, ela consistiria, entre outras coisas, no apego às coisas simples e espontâneas, associadas aos valores nacionais.

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    Clio picture
    Clio21/05/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Cidade e as Serras pode ser considerado o último grande 🤬 #$%!& para Paris. Não é de hoje que criticamos o gosto em terras tupiniquins por tudo o que é estrangeiro, mas essa estranha mania foi herdada de nossos antepassados lusitanos que por sua vez aderiam ao modo de vida francês, participularmente o parisiense, em sua própria época. Eça de Queirós expõe a debilidade da vida urbana e suas consequentes mazelas que hoje vemos exarcebadas em nossas próprias cidades causando estafa, depressão e outras tantas doenças físicas ou psíquicas. A cura que o autor preconizava é a mesma de nossos médicos, o afastamento do que nos causa mal. Jacinto de Tormes é o representante da nobresa portuguesa que tem essa epifania na história e se muda para o interior de Portugual. A crítica comum de Eça aparece aqui em sua forma mais contundente: a necessidade de se manter e renovar os valores lusos e sua sociedade para impulsionar novamente a nação. Por pura apreciação, a escrita de Eça continua sendo ímpar na literatura com seu dinamismo e leveza. Recomendo.

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