Mika Waltari (1908-1979) é o maior escritor finlandês. Entre seus sete romances históricos, O Egípcio destaca-se como o mais conhecido e já foi traduzido para mais de 40 idiomas.
Abordando a corrupção e a decadência dos valores morais, esse livro foi publicado em 1945, no final da Segunda Guerra. Indubitavelmente, uma ocasião bastante propícia, porém, a atemporalidade do tema mantém o interesse e garante frescor à narrativa.
Mediante um exaustivo trabalho de pesquisa, Waltari se inspirou numa das obras mais populares da literatura do Antigo Egito, Aventuras de Sinuhe, um funcionário da corte que teria vivido no tempo dos faraós da XII Dinastia e cujos relatos de viagem forneceram a mais antiga descrição sobre a Síria e a Palestina. No entanto, o autor resolveu transferir sua história para a XVIII Dinastia, particularmente, para a época do Faraó Amenófis IV, um importante período da história da Antiguidade.
Seu protagonista também se chama Sinuhe e é um médico. Já velho, ele vai contando sua vida, desfiando um rosário de intrigas, mortes e guerras, entrelaçadas a uma boa dose de ódio e paixão. A narrativa mescla ficção e realidade e eviscera com crueza o dia a dia dessa misteriosa civilização, aliás, o escritor é mestre na reconstrução do passado: O Anjo Negro, considerado sua obra-prima, exibe um importante retrato da Queda de Contantinopla em 1453.
O Egípcio foi adaptado para o cinema em 1954, mas o filme, dirigido por Michael Curtiz, deixa muito a desejar. Merece destaque apenas a atuação de Peter Ustinov como Kaptah, o servo do protagonista.
Finalmente, essa história marcou profundamente minha formação como leitora. Foi uma divisora de águas entre as adaptações dos clássicos para o público infanto-juvenil e os policiais de Agatha Christie que marcaram minha adolescência. Cinco estrelas e das mais saudosas.