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    Valis -

    Philip K. Dick

    Aleph
    2007
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788576570301
    Português Brasileiro
    3.9
    648 avaliações
    Leram923Lendo78Querem1321Relendo1Abandonos65Resenhas88
    Favoritos43Desejados1321Avaliaram648

    Um dos últimos livros escritos por Philip K. Dick, VALIS conta a história de Horselover Fat, um sujeito melancólico e obsessivo que tem uma estranha revelação divina. Fat está convencido de que uma entidade superior, que já foi Buda e Jesus, está para nascer a qualquer momento, e não vai descansar enquanto não encontrá-la. Neste "romance policial teológico", Dick surpreende ao ser narrador e personagem da trama. Impiedosamente honesto, revela-se sem disfarces, sem medo de assumir a própria loucura. Uma obra perturbadora, enigmática, genial e cruelmente engraçada. Definitivamente Philp K. Dick.

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes21/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    2-3-74

    Entre Fevereiro e Março do ano de 1974, Philip K. Dick passou por uma experiência que mudou sua vida: sua mente foi atingida por um raio de tonalidade rosa, transferindo quantidades absurdas de informação para sua mente. Entre estas informações, PKD passou a falar em grego Koiné (um precursor do grego tradicional) e viu a si prórpio vivendo na Roma Antiga onde os primeiros cristãos eram perseguidos. Nesta sua Epifania - ou surto psicótico - lhe foi revelado que o Império Romano nunca acabou. Na verdade, o império havia se apossado de toda a criação em algo que PKD chamou de "Prisão de Ferro Negro", que mascara a realidade para que nós não atinemos para o fato de que vivemos em um mundo defeituoso, insano. Tudo isso de fato consta na biografia de PKD, ele realmente acreditava ter passado por essa revelação divina, acreditava que seu cerebro foi inundado por todas estas informações. Tanto acreditava que escreveu a sua "Exegese", um "Tractatus" que continha as informações obtidas no episódio citado, com mais de 8.000 páginas (infelizmente ainda não totalmente publicadas) que narram, dentre diversas outras coisas, sobre a cosmogonia deste mundo redescoberto pela mente de Dick (a Anamnese, para citar o termo usado por ele). No início havia apenas um ser, A Mente (algo equivalente à definição de "Tao" da filosofia Taoista), que concebeu 2 filhos - as personificações de Yin e Yang - dois irmãos opostos e complementares. A idéia era que estes irmãos se fundissem num ser perfeito, mas algo de errado ocorreu: Yin acabou se revelando antes do período correto, ainda estava incompleto, imperfeito. Esta imperfeição tomou a forma de um deus louco, que cria a nossa realidade caótica. A Mente, numa tentativa de consertar a criação, tenta penetrar neste mundo caótico através dos chamados Plasmados, que são manifestações deste Deus primordial, A Mente, ou Zebra (sim, este é um dos vários nomes do "Um"). Estes Plasmados tem a função de trazer sanidade a esta criação defeituosa, sendo que já houveram várias personificações: Buda, Santa Sofia, Jesus... Porém, esta realidade defeituosa combate os Plasmados como anticorpos tentando neutralizar um corpo estranho: através do Império Romano, todos os Plasmados foram destruidos. Por conta disso, o tempo cessou de existir e a criação/ realidade foi aprisionada na chamada "Prisão de Ferro Negro" até que os Plasmados retornam em 1974 trazendo as boas novas sobre a vinda de um novo salvador/ Plasmado que libertará o mundo de toda a insanidade e sofrimento. Este regresso dos Plasmados se dá através da entidade denominada por Dick com o nome de VALIS - Vast Active Living Intelligence System - Vasto Sistema Ativo de Inteligência Viva, que tranfere as informações para alguns poucos privilegiados. Se VALIS é a própria Mente primordial ou apenas um instrumento de sua sabedoria, eu ainda estou em dúvida. Porque eu fiz questão de fazer esta introdução enorme? Porque tudo isso está no livro "Valis" na forma de um romance autobiográfico. Inicialmente, PKD criou uma história que foi abandonada (não sei exatamente o motivo) e que depois deu origem a este livro. Vale ressaltar um ponto bem interessante: esta história inacabada foi publicada postumamente sob o título de "Radio Free Albemuth" e todo o enredo desta história primordial também está em "Valis", através de um filme que o protagonista da história e seus amigos vão assistir (genial!), onde descobrem que mais pessoas estão cientes das boas novas trasmitidas por Valis. Mas eu já estou me adiantando na história. Como em um livro do PKD, vamos ignorar a linearidade e voltar ao início para que eu possa fazer um pequeno resumo: Horselover Fat (sim, este é o "nome" do protagonista) é um sujeito com tendências suicidas e que entra numa expiral de loucura e culpa quando sua amiga Gloria se suicida, um dia após estar em contato com ele. Em certo momento ele passa pela já citada experiência religiosa com a luz rosa, que lhe revela que o mundo é uma ilusão e que um novo salvador/ Plasmado está para chegar. Parece uma premissa simples, mas a genialidade do livro está na procura de Fat pelo significado de sua Epifania, suas discussões com seus amigos David, Kevin e Phil - sim, o próprio PKD e que também narra a história. A genialidade está no fato de nos ser revelado logo no começo da narrativa que Horselover Fat e Phil são a mesma pessoa ( "Mas esse é você. "Philip" significa "Horselover" em grego. "Fat", gordo, é a tradução da palavra alemã "Dick". Então você traduziu seu nome." - Pág. 210 ), onde o autor trabalha um de seus conceitos prediletos, o "eu" duplo, com Phil sendo a personificação da sanidade e Fat a da insanidade. A genialidade está nos amigos indo assitir ao filme Valis e percebendo que outras pessoas também passaram pelas mesmas experiências de Fat. Eventualmente, a "Rhipidon Society" (como os amigos resolveram se denominar) encontra os produtores do filme, que lhes revelam diversas outras informações, a principal delas é que está entre eles o novo salvador, ou melhor, salvadora: Sophia Lampton, uma garotinha de pouco mais de 2 anos e que fala com sabedoria e eloquência assustadoras, que acaba por curar momentaneamente Fat/ Phil, unificando novamente as personalidades. Enfim, são tantos conceitos usados por Phil/ Fat durante o livro, que é como se o leitor fosse atingido pelo mesmo raio de luz rosa, carregado de conhecimento. Gnosticismo, Hermetismo, Taoísmo, Budismo e diversos outros "ismos" constroem essa filosofia transmitida por Valis, demonstrando o quão erudito e genial PKD era. Definitivamente eu voltarei a esta livro no futuro, quando minha bagagem literária/ filosófica for maior, para que eu possa absorver ainda mais todos os detalhes desta história fantástica. Como uma última recomendação, assistam ao filme "Radio Free Albemuth" de 2010 que, embora não seja um filme com um orçamento muito bom (é perceptível no filme) não deixa de enriquecer ainda mais a experiência de quem leu este livro. Há também a quadrinização da experiência do PKD nesta edição da Aleph, desenhada por Robert Crumb. Que o conhecimento de Valis esteja com todos vocês!!! Trilha sonora: Grateful Dead (caiu como uma luva!!).

    138 curtidas

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    3.9 / 648
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas3%
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    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick