Todo resenhista já passou por duas situações complicadas na vida literária: dificuldades em resenhar um livro que tenha amado e a mesma barreira para aquela obra que odiou. Infelizmente, me encontro na segunda categoria e já enrolei muito para começar a colocar minhas impressões em palavras.
Reconheço que somos indivíduos diferentes e como tal possuímos gostos bem aleatórios; tal realidade não é incomum na literatura. Os gêneros são um resquício que comprova essa ideia. Quando amadureci nessa área comportamental compreendi que não posso simplesmente colocar meu ponto de vista como a única afirmativa, pois as partes de uma narrativa que não me cativaram podem ser totalmente o oposto, ou seja, tal característica pode conquistar outro ledor. Vendo por esse ângulo sempre tento esclarecer o porquê de tal obra não ter me atraído, todavia tal pressuposto será impossível de ser considerado nesse livro. É impossível enumerar pontos positivos nessa obra.
A frase que encerra o parágrafo anterior é enfática e não estou sendo radical. A sinopse e a capa da obra são bem distintas e logo seduzem, entretanto a autora se perdeu por diversas vezes na estória. Irei relacionar todas as razões desse vestígio tão desfavorável, porém faz necessário narrar um pouco à trama.
A terra está sendo poluída e as bruxas originais que vivem em uma floresta que se encontra em outro plano precisam ajudar os homens a se livrarem dos magos que estão contribuindo para acabar com o planeta terra através da poluição. Existe uma esperança desses magos voltarem para “luz”, e para isso Lanah que é a representante da ordem do universo (ou algo parecido) designa quatro bruxas e quatro elementais para essa função. Em doze anos elas precisam conseguir com êxito cumprir essa missão. Entretanto, ao contrário do que possa imaginar a estória gira entorno de Kir (bruxa original) e Destroc (mago) que já foi do bem.
Falando especificadamente sobre esse exemplar é possível listar os problemas apresentados nesse livro. Primeiro; a autora conseguiu misturar diversas religiões dentro de um enredo muito pobre. Não sei dizer o motivo para tal abordagem, ou melhor, a razão de misturar tudo isso sem um propósito. Segundo; o exemplar inteiro possui erros de digitação, concordância, coerência e consequentemente erros gramaticais. Sempre li livros da editora e não recordo de terem desleixado em uma obra. Claro, que equívocos ocorrem, mas os erros realmente são “gritantes”. Terceiro; não compreendi quem narrava o “quê”. Em uma hora o texto estava em terceira pessoa e outros momentos na primeira, sem intercalar nada. Simplesmente do nada alterava a visão, o que ocasionava em confusão e consequentemente afetava a interpretação. Quarto; alguns personagens são citados e não aparecem, talvez, por se uma trilogia e a Adrieni querer trabalhar com essa diversidade em suas demais obras tenha optado por deixar essas brechas. Por isso, temos um monte de gente desnecessária que é mencionada, por exemplo, elementos sobrenaturais que não tem destaque, tais como: anjos, vampiros e lobisomens. E, para não me estender muito (até mesmo porque a listinha só iria crescer) o quinto obstáculo nessa obra é que a temática central, que seria o meio ambiente e a poluição, não ganha destaque algum. A escrita confunde o tempo todo e não vemos o enfoque nessa questão que seria a base para o desenvolvimento da trama.
No meio de toda essa calamidade só posso pontuar que a autora precisa de diretriz e pelo que pesquisei não tem nada que aponte a continuação da obra, uma vez que somos “contemplados” com um capítulo bônus da sequência do livro. Enfim, acho que é necessário uma organização de pensamento, o que se pretende narrar, como, quando e etc, pois da forma que se encontra é impossível apontar aspectos favoráveis. Definitivamente há uma real necessidade de tanto a editora como a escritora reverem esse romance (nem sei se esse é o gênero) do começo ao fim. Não sei se consegui explicar, entretanto ainda estou tonta de tantas voltas, intrigas e posicionamentos confusos dos personagens.