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    Sal -

    Letícia Wierzchowski

    Intrínseca
    2013
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788580573817
    Português Brasileiro
    3.9
    1286 avaliações
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    Favoritos204Desejados1655Avaliaram1286

    Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um. Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

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    MALLLOR MALL22/03/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    SAL, de Letícia Wierzchowski

    Este não é apenas um romance, é a arquitetura de uma geografia de ausências e marés. A obra se desdobra como um organismo vivo, onde a estrutura física das páginas tabuladas mimetiza o movimento perpétuo do oceano, fazendo com que o leitor não apenas leia, mas balance ao ritmo de uma prosa que sobe e desce, insistente e vasta, como a espuma que lambe a areia de uma ilha esquecida. Sente-se o som das ondas, o sal do mar, o aroma da maresia. A narrativa é um prisma de cores e silêncios. Cada personagem carrega uma tonalidade específica, uma aura que os define e, simultaneamente, os isola. São pigmentos de uma aquarela lavada pelo salitre: o azul da melancolia, o cinza das esperas intermináveis e o branco da cegueira emocional que a solidão impõe, e as matizes se revelam num tapete que brota das mãos de Cecília. No centro dessa cartografia cromática, ergue-se a figura da mãe — não apenas como matriarca, mas como o próprio cais. Ela é a força tectônica que sustenta o peso da ilha e do abandono, a mulher-rocha que, enquanto o mundo se dissolve em águas, permanece de pé, convertendo o sofrimento em uma liturgia de sobrevivência. A experiência de fechar este livro é o equivalente a ver o navio de uma história amada sumir no horizonte. O "vazio" que se instala no peito não é uma falta de conteúdo, mas a presença tangível de um eco. Wierzchowski nos entrega o oceano e, ao final, nos retira a terra firme. Resta a lucidez dolorosa de quem viveu uma das leituras mais viscerais de sua existência: uma ferida aberta e limpa pelo sal, onde a beleza e a tristeza se confundem na linha do horizonte. Simplesmente sublime. Nas páginas que ondulam como o levante, O sal batiza a dor de quem ficou no cais; A mãe é rocha, o tempo é um instante, E as cores são silêncios ancestrais. O peito vira ilha, o mar se faz vazio, Numa escrita que corrói e nos deságua; Onde o amor é um fio de arrepio, Banhado pela luz e pela mágua.

    38 curtidas

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    3.9 / 1286
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas2%
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    Letícia Wierzchowski

    Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção. Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul. A escritora gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letícia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letícia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail à autora e ambos passaram a se corresponder regularmente pela rede. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letícia e Marcelo casaram-se. Na cerimônia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que o livro poderia fazer sucesso e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas edições rapidamente esgotadas. O grande sucesso literário de Letícia viria com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha, recusou-se de início, pois tinha outros projetos literários. No entanto, acabou cedendo às pressões e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens d’A casa. Lançou em 2006 sua décima-primeira obra, Uma ponte para Terebin,em que narra a história de seu avô polonês. Ao mesmo tempo, trabalha, em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

    32 Livros
    298 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Letícia Wierzchowski