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    O anjo Esmeralda - nove contos

    Don DeLillo

    Companhia das Letras
    2013
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788535922745
    Português Brasileiro
    3.4
    35 avaliações
    Leram63Lendo7Querem88Relendo1Abandonos2Resenhas2
    Favoritos0Desejados88Avaliaram35

    Situadas na Grécia, no Caribe, em Manhattan, numa prisão para bandidos do colarinho branco e no espaço sideral, estas nove histórias funcionam como uma fascinante introdução à prosa icônica de Don DeLillo, bem como um rico e variado panorama de sua obra.Em "Criação", um casal em um cruzeiro marítimo se vê preso numa ilha das Índias Ocidentais em meio a cancelamento de voos, reservas não confirmadas e uma economia prestes a entrar em colapso. Em "Momentos humanos na Terceira Guerra Mundial", dois homens em uma nave na órbita da Terra ouvem as vozes do rádio emitidas cinquenta anos antes. Na história que dá título ao volume, as irmãs Edgar e Grace, freiras que trabalham nas ruas violentas do Bronx, confirmam o milagre do bairro, a aparição de uma criança morta.Freiras, astronautas, atletas, terroristas e viajantes, os personagens de O anjo Esmeralda escapam às definições fáceis e teimam, às vezes frase a frase, em surpreender o leitor. Estas nove histórias mostram a medida exata em que DeLillo, com seu ouvido para o diálogo, seu antissentimentalismo e seu humor sardônico, transformou profundamente a paisagem literária americana.

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    Patrick13/03/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Fluxo de consciência fílmico

    Eu percebo no DeLillo, acima de qualquer influência literária anterior a ele, uma forte influência do cinema, do cinema em geral, cinema como narrativa, cinema como arte. Ele mesmo demonstra grande interesse e prazer pelo próprio, como percebi em Americana (foi aqui que descobri cineastas experimentais como Jonas Mekas e Shirley Clarke) e Running Dog (a trama gira em torno de um suposto filme pornográfico de Hitler). Não me refiro, no entanto, a meras alusões ao cinema, como quando no seu primeiro livro ele compara uma festa monótona a um filme de Antonioni; eu me refiro ao seu estilo; leia Turguêniev e DeLillo ao mesmo tempo: o primeiro não dá um nome sem apresentar também um sobrenome e um patronímico e acrescentar não uma breve mas uma longa introdução ao leitor sobre o personagem; o segundo além de não lhe dar um nome, deixa a cargo do leitor descobri-lo e conhece-lo a ele e a sua história e, quando isso é impossível, inferir-lhe o resto. ''Isso fez com que uma expressão pensativa surgisse em meu rosto.'' O russo talvez escrevesse simplesmente ''Tornei-me pensativo.'' Ivan não parece imaginar a si próprio ou seu personagem num auto-retrato a óleo com uma expressão pensativa, mas DeLillo parece imaginar-se ou imaginar seu personagem durante um close-up com uma trilha sonora evocando tensão, talvez uma única nota de piano. São somente minhas impressões, é claro. Não estou fazendo uma crítica negativa ou positiva dos respectivos estilos, nem querendo determinar que um é superior ao outro, e a comparação entre os dois é, sim, totalmente aleatória. Sendo o cinema uma arte que tornou-se muito forte, capaz de influenciar, bem e mal, nossa visão de mundo, nossas reações semânticas e nossos códigos linguísticos não quero dar a entender que somente DeLillo sofreu essa grande influência. Todos ou, mais corretamente, a grande maioria desde o final do século XIX até nossos dias atuais sofreram-na e como disse Jorge Luis Borges em outro lugar ''Por que incomodar-se em ser contemporâneo se não lhe é possível ser outra coisa?'' Poucos escritores, no entanto, parecem admiti-la na própria fluidez do texto sem esconder-se atrás de uma bronzeada prosa titânica de centenas de anos atrás e ainda conceber algo do tamanho de Underworld. Sobre o Anjo Esmeralda: às vezes os seus personagens que parecem-se sempre com adolescentes brincalhões, irritantes e super espertos, independentemente das suas respectivas idades e sexos perturbam-me um pouco. Mas não mudaria isso nele, se pudesse. É o que ele é, como escritor. E o cara pode escrever sobre qualquer coisa, de freiras com transtornos de limpeza à astronautas assombrados e maravilhados pela Terra.

    2 curtidas

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    3.4 / 35
    • 5 estrelas3%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas9%
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    Don DeLillo

    Don DeLillo é um escritor, dramaturgo e ensaísta norte-americano, cujo trabalho traça um retrato detalhado da vida americana no século XX. Os romances de DeLillo abordam temas tão diversos como a televisão, a guerra nuclear, os esportes, as complexidades da linguagem, arte performática, a Guerra Fria, a matemática, o advento da era digital e do terrorismo global. Foi galardoado com o National Book Award, o PEN/Faulkner Award e o Jerusalem Prize. Submundo foi finalista dos prémios Pulitzer e do National Book Award e recebeu em 2000 a Medalha Howells da American Academy of Arts and Letters pela mais eminente obra de ficção dos últimos cinco anos; em 2006, foi considerado um dos três melhores romances dos últimos vinte e cinco anos pela New York Times Book Review.

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    56 Seguidores
    NY, EUA

    Don DeLillo