Platão e a arte de seu tempo -

    Pierre-Maxime Schuhl

    BARCAROLLA
    2011
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-10: 8598233455
    Português Brasileiro

    Platão tinha aversão à arte, de forma generalizada? A expulsão dos artistas da cidade ideal no décimo livro da República suscita polêmica e a curiosidade de estetas, filósofos e entusiastas da estética. Para acender esse debate, a editora Barcarolla e a Discurso Editorial (do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo) lançam em parceria o livro "Platão e a Arte de seu Tempo", de Pierre-Maxime Schuhl. Nele, o autor analisa e se aprofunda na relação do filósofo ateniense com a arte, sustentando que ele não tinha repulsa por ela, mas sim pelos artistas de seu tempo. Para entender a posição de Platão é preciso recuar aos princípios de sua filosofia. Tudo no mundo físico seria reflexo e imitação do sublime Mundo das Ideias, que ficaria suspenso acima da Terra. Qualquer manifestação do plano físico seria apenas reflexo de algo concebido no mundo de cima - de um objeto físico a uma pessoa bonita. Dessa forma, a arte seria uma cópia da cópia, a imitação da imitação (mímesis). Ademais, ela não seria o resultado do conhecimento, como no caso da filosofia, mas de uma espécie de "transe" que inspira a criação. Mas Schuhl salienta: "Platão mostrou-se, em toda sua obra, um artista genial demais para que esta atitude possa se explicar por uma falta de sensibilidade à arte". Mesmo a poesia, à qual Platão assume posição contrária desde os seus primeiros escritos, é objeto de uma revisão. "Ele mesmo reconhece, na República, ao falar da poesia imitativa, que sofre o seu encanto - e é preciso dar à palavra o sentido mais forte: trata-se de um encanto quase mágico.- Seria exatamente esse sentimento de ação profunda que a arte exerce sobre as almas que explicaria a severa atitude de Platão para com os artistas. A partir de citações, análise dos comentários que o ateniense teceu sobre a arte e sua relação com a Teoria das Ideias, o autor francês delineia um panorama diferente, em que o radicalismo perde terreno. Platão poderia aprovar certas formas particulares de arte, comenta logo no prefácio. Mas, as exigências são altas: "a perfeição de uma obra de arte dependeria de tantas relações que a menor negligência seria suficiente para comprometer o conjunto", escreve Schuhl.

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