A ilha começa por definir-se como espaço de um poder absoluto que leva o leitor a memórias do romantismo negro, aos dráculas e às suas variantes dispersas por toda a imaginação gótica. Rainsford terá de fugir ak num labirinto sufocante de vegetação tropical; como Teseu, usará a astúcia, a coragem, debater-se-á numa treva de impossibilidades até reencontrar a luz. No centro de tudo isto levanta-se o corpo de pedra do castelo, espaço privilegiado da subversão. Nesta aventura de castelo e selva, Zaroff acede ao prazer construindo uma expectativa de crime, com avanços e recuos prolonga o momento crucial do êxtase da posse. E com esta prática ilustra em ficção o que Georgrs Bataille teoriza sobre o erotismo: Uma história Richard Connell várias vezes adaptada ao cinema (de forma assumida ou não), e que uma outra vez viveu na rádio com as vozes de Orson Welles e Joseph Cotten; que construiu um reconhecido símbolo do erotismo sádico citado por Rolland Villeneuve, Léo Malet, Alberto Manguel, Ado Kirou, entre outros, e amado - como prolongamento das imaginações do marquês de Sade - pelos surrealistas franceses.

