É uma celebração da arte de contar histórias. A verdade é que o ser humano não pode passar muito tempo sem elas e todos nós contamos várias delas o tempo todo (assim que chegamos em casa, por exemplo, queremos contar o que vimos na rua). Há pessoas que refinam tanto as histórias que se tornam mestres nessa arte, como havia na Damasco retratada por Rafik Schami. Mas eis que um dos melhores contadores de histórias da cidade se torna subitamente mudo. Seus sete amigos tentam de tudo para fazer com que retome a fala, até que chegam a conclusão de que deveria cada um deles contar a sua própria história. Então eles, que até então eram ouvintes, passam a ser contadores improvisados de histórias.
O livro apresenta as histórias desses homens, mas também muitas outras que se entrecruzam, e chega até a ser engraçado como uma história dá origem a outra, que dá origem à outra, que dá origem à outra, e se não houver concentração acaba-se perdendo de vista a história original. A nossa ânsia de conhecer histórias parece não ter fim.
Há histórias mágicas, há histórias tristes, há histórias divertidas. Chamo a atenção, especialmente, para uma em que o contador se esforça para convencer aqueles homens da Síria da realidade que encontrou nos Estados Unidos e eles não acreditam, acham absurdo demais que os americanos vivam tão selvagemente como ele sugere... Esse conflito cultural é bem interessante. Também é um bom momento quando quem conta a história é uma mulher.