Noite Polar foi publicado pela primeira vez em 2010 e é o primeiro romance para adultos da autora Michelle Paver. E em minha opinião; um primeiro livro maravilhoso!
A viagem para a baía de Gruhuken tem início em 1937 com quatro homens, mas um deixa a expedição após quebrar a perna e os outros três (Jack, Gus e Algie) seguem para o Alto Ártico.
Jack é um físico frustrado, não tem pais ou irmãos; vive uma vida pobre e completamente solitária em Londres. Gus é botânico e Algie um geólogo; ambos são jovens aristocratas ricos que estão em busca da aventura de acampar durante um ano na gelada baía de Gruhuken, em uma excursão para explorar no longínquo mar Ártico. Os três se unem e seguem para essa jornada inesquecível no frio extremo.
Jack é quem escreve o diário que nos apresenta a história da estadia, dele e de seus companheiros, nesse lugar inóspito. Ele é o personagem principal e é através de seus pensamentos que visualizamos os acontecimentos que se desdobram nessa fatídica viagem.
Ao mesmo tempo que a leitura desperta uma sensação de solidão, por se passar no Alto Ártico, também nos faz sentir que existe algo a espreita... um suspense incontido, como se o tempo todo os personagens estivessem sendo observados e avaliados por algo que se imiscua, vagarosa e constantemente, entre eles. O que faz o expectativa nos envolver aos poucos enquanto a história se desenrola e um pavor genuíno vai lentamente tomando nossos sentidos e nos preparando para o pior.
Tenho que destacar o jeito progressivo e doce que Jack passa a gostar dos cachorros, que antes desgostava abertamente. Isaak, em especial, conquistou o coração de Jack Miller irremediavelmente em meio a todo aquele gelo e terror.
Noite Polar lembra muito Os Salgueiros de Algernon Blackwood; o clima de opressão e ansiedade em meio ao desconhecido e o sobrenatural é muito semelhante.
Michelle Paver usa o suspense para abordar temas como: a verdadeira solidão, desigualdades sociais, solidariedade e bravura. E través de uma escrita intimista e delicada ela nos surpreende com uma história ficcional, que cresce no decorrer da leitura tornando-se completamente provável de ter realmente acontecido.
Eu adorei o desenvolvimento lento, detalhista e conciso da narrativa, e o final realmente surpreende e provoca algo mais.
Essa é uma história sobre fantasmas, que suscita reflexões sobre a vida e a morte, transforma certezas em dúvidas e desperta o medo do desconhecido.
Recomendo para todos.