Sandra Jatahy Pesavento nos apresenta nessa obra contundente e necessária ao longo de oito capítulos o que é a História Cultural, quais são os seus parâmetros epistemológico, teóricos e metodológicos que norteiam as pesquisas no campo historiográfico moderno fazendo uma interdisciplinaridade com o saber no âmbito do conhecimento de modo geral.
O ponto de partida da pesquisa de Pesavento advém dos questionamentos do verdadeiro conceito de História Cultural. E, sobretudo, questionar os mais diversos detratores do assunto de que é um tema que não consistência teórica e procedimentos de pesquisas aprimorados.
De maneira objetiva e sucinta, didática e de linguagem acessível, Pesavento estudou e pesquisou para nos relatar em sua obra as suas reflexões de tais indagações, avaliando as possibilidades que foram abertas pela História Cultural mostrando também seus limites em outras áreas do saber.
Na obra, resta claro para o leitor, que a autora traçou um panorama da História Cultural identificando seus precursores como Jules Michelet, Paul Ricoeur, Michel Foucault, Michel de Certeau, para citar alguns. Pesavento discute o conceito de representação, imaginário e narrativa histórica. Para a autora, esses conceitos reorientou a postura epistemológica do historiador contemporâneo. Primeiro porque esse historiador no ato da investigação de sua pesquisa, irá buscar a representação do lugar pesquisado, depois atribuirá sentido ao mundo e a partir de então, finalizará esse percurso através do método que se utilizou para tal finalidade, explanando suas fontes e indícios investigativos.
Vale ressaltar também que a autora buscar elucidar conceitos de ficção e sensibilidade e que estes podem influenciar no decorrer da investigação histórica a pesquisa do historiador. Pois, ela acredita que isso implica na percepção sensível da experiência humana no mundo, através de práticas sociais, discursos, imagens e materialidades. Consequentemente, Pesavento aborda a questão do indivíduo, porque estaria ele intrinsecamente ligado a sensibilidade, não passaria incólume as sensações do mundo externo. Porque ela compreende que s História Cultural se move através da experiência, das subjetividades, da imaginação, das emoções, das ideias e desejos, dos temores, posto que a relação dos homens com o mundo está para além do conhecimento científico. E ela afirma que isso vale para todas as épocas em que for se investigar.
É uma obra de linguagem acessível que permite ao leitor avaliar as contribuições e limitações da História Cultural para o trabalho do historiador, nas suas investigações do passado e na elaboração de seus procedimentos de pesquisa. Bastante inovadora, Pesavento nos apresenta um horizonte de possibilidades e desafios teóricos e metodológicos da História Cultural, inspirando-nos a percorrer outras veredas no pensar e fazer História na História Cultural.