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    Contos Mineiros -

    Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Ivan Angelo, Otto Lara Resende, Aníbal Machado, Luiz Vilela

    Ática
    1984
    123 páginas
    4h 6m
    ISBN-10: 8508050631
    Português Brasileiro
    4.2
    6 avaliações
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    "Ser mineiro é esperar a cor da fumaça", escreveu certa vez Fernando Sabino. Paulo Mendes Campos, por sua vez, assim definiu a cara de Minas: "é uma cara imensa estampada no meio do Brasil. O ocipital dá para as barreiras atlânticas. O alto da cabeça comprime os tetos do Norte. O queixo faz força para baixo. E o narigão fareja os confins do planalto que se alonga aos contrafortes andinos". E Guimarães Rosa, mineiríssimo, chegou a advertir: "De Minas, tudo é possível". Minas tornou-se, assim, uma palavra forte e mágica, que não designa apenas o nome do Estado da federação brasileira. Mais do que isso, é um sentimento do mundo. Um jeito de ser, de ver e viver as coisas. E para retratá-lo, ninguém melhor do que seus escritores, artistas que recriam a realidade com o poder das palavras. Contos mineiros é um exemplo disso: uma reunião das múltiplas faces que Minas pode apresentar, desde as conquistas e os contrastes da vida urbana, até os repentinos dramas capazes de agitar o cotidiano de uma pequena cidade. São ao todo 18 contos que refletem, de maneira gostosa e agradável de ler, os mais diversos aspectos da chamada mineiridade. A ênfase maior dos textos, porém, está em mostrar que cada homem, cada mulher e cada criança têm o seu jeito próprio de viver a terra. Misterioso, irônico, pitoresco ou intimista, todo mineiro traz uma Minas diferente dentro de si. Cada um com sua riqueza humana, minas que se somam: Minas Gerais.

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    Matheus Zucato Robert picture
    Matheus Zucato Robert05/03/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ah, Minas nunca desaponta!

    Uma perfeita antologia de contos de autores mineiros, muitos deles desconhecidos para mim, mesmo eu sendo de Minas. É incrível como transita de conto em conto certa magia mítica, folclórica, algo que não se sabe explicar, mas que se vive e se sente diariamente em nossas cidadezinhas interioranas. São os tais 'causos', as tais 'histórias de pescador', ou 'histórias pra boi dormir', mas que, no fundo, acontecem frequentemente e em ninguém mais causa espanto. Em 'Contos Mineiros', somos muito bem recebidos, desde o primeiro conto. Um conto deve sempre contar duas histórias: uma aparente, e outra discreta, escondida nos entremeios, a ser descoberta pelo prazer da análise e melhor entendimento do que se lê. E os autores deste livro não decepcionam. Dos 18 contos do livro, 15 me surpreenderam, o que justifica (além do prazer da descoberta de novos/velhos autores) a nota 5/5 dada por mim ao livro. Deixo a seguir impressões sobre alguns dos ótimos contos do livro. "Sem Enfeite Nenhum", de Adélia Prado, é uma perfeita abertura, com uma história sobre uma filha, mas que conta muito mais sobre a história da resignada mãe. "O Defunto Inaugural", de Aníbal Machado, é um bem-humorado e absurdo conto sobre uma cidadezinha cheia de aparências e que precisa inaugurar o seu cemitério; o problema é que, ali, ninguém parece muito disposto a morrer. "O Ovo com Solenidade", de Duílio Gomes, caminha entre o horror e o absurdo. O que resume bem a narrativa, que se passa com um homem cego que sente uma iminente ameça rondar, é entender que não há como permanecer inerte durante (e após) sua leitura. "Ninguém Rouba um Navio", de Garcia de Paiva, é aquele conto que requer releitura e, logo após, causa deslumbramento. Isto é devido ao que diz nas entrelinhas. Conta sobre um casal de clásse média e cujo marido tem problemas de saúde. Há uma reflexão perene sobre o tempo, sobre espiritualidade e sobre símbolos. O final, desconcertante, também inquieta. "O Destacamento", de Godofredo Rangel. Outra surpresa, um conto humorístico e insólito sobre orgulho, sobre sociedade e administração pública, onde um brutamontes misógino peita a lei local (representada pelo acovardado subdelegado) e desarranja a ordem local. A população espera ansiosamente por um destacamento militar que colocará tudo nos eixos e levará à cadeia o criminoso de nome Baiano. "Menina", de Ivan Ângelo. Parecia que estava lendo um conto de Clarice Lispector. Tal semelhança não é despropositada, uma vez que o autor usa como epígrafe do conto uma citação do livro "Perto do Coração Selvagem", da autora. É um conto sobre a infância e a perda da inocência por uma menina que 'sabe cada vez mais' sobre a vida. "Confissão", do autor Luiz Vilela, é diferente; um texto formado unicamente por diálogos entre um padre e um menino que se confessa do pecado de ter visto sua vizinha sem roupas. Entre as perguntas e respostas de ambos, nós nos esprememos para captar o que não é dito em voz alta. "O Paletó", de Manoel Lobato, é outro dos que dizem muito nas entrelinhas. Um alfaiate com casamento já morno tem plena certeza que a secretária de seu médico está apaixonada por ele. Um botão encontrado ao acaso em sua casa o faz refletir sobre o destino e tomar a decisão de ir atrás da moça. É um texto sobre casamento, culpa, destino. "A Espera", de Maria Lysia Corrêa de Araújo. Mais uma grata surpresa. Um enredo inusitado, sobre um homem que permanece por meses e anos imóvel sob uma árvore, a acariciar o seu tronco e distribuir suas folhas para os que até ele chegam por diferentes motivos. Lembrou muito o realismo mágico de Murilo Rubião. "Teleco, o Coelhinho", de Murilo Rubião. Falando nele, ele aparece como passe de mágica. Já tinha lido esta narrativa no livro "Obra Completa", que reúne todos os seus 33 contos escritos. Achei muito interessante a releitura, que novamente conseguiu me surpreender. Um coelhinho com a habilidade de se metamorfosear em outros animais passa a viver com um solitário solteirão. As coisas vão muito bem, até que Teleco passa a questionar sua própria identidade. Um conto com final surpreendente e questionador. "Os Amantes", de Orlando Bastos, é um conto sentimental, com traços do romantismo. Uma releitura moderna, encenada por um casal apaixonado, de 'O Cordunda de Notre-Dame', de Victor Hugo. "O Elo Partido", do são-joanense Otto Lara Resende, deveria figurar (se já não o é) entre as mais importantes ficções brasileiras sobre o Alzheimer. O conto retrata a inquietante percepção (e confronto) de um homem com esta terrível doença. Mais um conto que nos impede de permanecer indiferente diante de sua leitura. "A Mãe e o Filho da Mãe", de Wander Piroli. Por fim, achei interessante o livro terminar com este conto, que, assim como o primeiro, narra uma relação entre mãe e filho(a). Aqui percebemos um desejo de liberdade ainda que fracamente exercido pelo filho. Há certo caráter cíclico no ilusório simples enredo que requer atenção, o que dá um ar mais profundo e estranho ao texto. Enfim, a leitura do livro me agradou muito! Recomendo demais para os que querem conhecer autores mineiros e ler profundas e criativas histórias nascidas deste fértil e encantador estado brasileiro.

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    Carlos Drummond de Andrade profile picture

    Carlos Drummond de Andrade

    Nasceu em Minas Gerais, em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra, Itabira. Posteriormente, foi estudar em Belo Horizonte e Nova Friburgo com os Jesuítas no colégio Anchieta. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou <i>A Revista</i>, para divulgar o modernismo no Brasil. Durante a maior parte da vida foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguido até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.

    198 Livros
    2.101 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Carlos Drummond de Andrade