Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições2
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas4
    • Leitores27
    • Similares16
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Perfis de Mulher - Senhora/ Lucíola/ Diva

    José de Alencar

    Circulo do Livro
    1970
    469 páginas
    15h 38m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    12 avaliações
    Leram21Lendo0Querem6Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos2Desejados6Avaliaram12

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (16)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (4)Ver mais
    Maria Carolina picture
    Maria Carolina18/11/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Já dizia Lana...God knows I lived... God knows I died... God knows I begged... Begged, borrowed and cried... God knows I tried...

    Nessa saga literária lusa, eu comecei Lucíola com aquela falsa sensação de segurança literária que a gente cria depois de ler alguns clássicos mais leves. Pensei que encontraria um romance bonito, moralmente organizado, talvez com um pouco de drama, mas dentro do habitual do século XIX brasileiro. E então não. O livro me jogou num abismo doce e melancólico, do tipo que a Lana Del Rey entenderia num suspiro. “God Knows I Tried” poderia ser o tema musical da Lúcia: uma mulher que tenta, tenta demais, tenta de todos os jeitos sobreviver a um mundo que decide seu destino antes mesmo de ela abrir a boca. A história, em essência, parece simples. Paulo chega ao Rio de Janeiro e conhece Lúcia, a cortesã mais comentada da cidade. Ela o intriga, o fascina e o desconcerta. Ele não sabe lidar com a própria curiosidade, nem com a forma como o desejo dele se mistura com moralismo, possessividade e culpa. Acontece que Lucíola não é um romance sobre amor correspondido; é um romance sobre a impossibilidade do amor dentro de uma sociedade que transforma mulheres em mitos, símbolos ou mercadorias, e nunca em pessoas. E é aqui que a comparação com A Dama das Camélias não saiu da minha cabeça. No romance francês, Marguerite Gautier é elevada à categoria de mártir romântica: bela, trágica e quase santificada pela pena de Dumas Filho. O sofrimento dela é adornado, suavizado, envolto numa aura que conforta o leitor. Já Lúcia não tem esse privilégio. José de Alencar não a santifica. Ele a coloca exposta, crua, com todas as marcas, escolhas difíceis e feridas abertas. Lúcia é a versão brasileira realista, sem perfume, sem véu, sem renda: uma mulher empurrada ao limite entre sobrevivência e dignidade, tentando não desaparecer no processo. E talvez por isso ela seja tão dolorosamente humana. Paulo funciona como lente da história, mas é uma lente tremida, enviesada e presa à própria moral. Em boa parte do livro, ele mesmo é um obstáculo para a felicidade que deseja, e isso é tãããão angustiante... É fácil sentir raiva dele. É fácil querer pegar Lúcia pela mão e dizer: vá embora, escolha você, fuja dessa história. Mas é justamente essa imperfeição dele que torna tudo tão plausível e tão devastador. Quem me fez ficar, honestamente, foi a Ana. Ela é figurante? SIM! Mas consigo me identificar com ela... para mim, ela é o retrato perfeito da sensatez silenciosa. Uma espécie de contraponto da pureza que Alencar não idealiza. Ana não julga Lúcia como os outros. Não a reduz a um rótulo. Ela observa, entende, acolhe, e diz muito mais com gestos do que Paulo consegue dizer com páginas. É o tipo de personagem que você reconheceria de longe como alguém pelo qual valeria a pena lutar, uma mulher que transita entre firmeza e gentileza com uma naturalidade rara na literatura da época. E quanto a Lúcia… eu diria que poucas personagens femininas do século XIX brasileiro (que li até agora) recebem tanta profundidade moral. Seu passado não é um ornamento narrativo. É o que molda sua ética, sua dureza, sua generosidade inesperada, seu medo de viver plenamente. Ela deseja o impossível: ser amada sem ser julgada. Sonhar sem ser punida. Existir sem ser condenada. Apesar de não ter violência gráfica, Lucíola trata de exploração feminina, trauma sexual implícito, culpa moral sufocante, desigualdade extrema e uma sociedade que consome mulheres e depois as descarta. Não acho que seja um livro para leitores muito jovens. A classificação seria 16 anos, mas com a observação de que leitores sensíveis podem sentir esse impacto de forma ainda mais intensa. É uma leitura pesada, mas não pela violência, e sim pela humanidade ferida. No fim, Lucíola me deixou com a sensação de ter lido um híbrido impossível entre a poesia trágica de A Dama das Camélias e a brutalidade silenciosa da vida real. É um romance que arranca algo de você. Que exige digestão. Que permanece ecoando, como Lana Del Rey canta, naquele lugar da alma onde só ficam as dores que a gente não sabe explicar.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 12
    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    José Martiniano de Alencar profile picture

    José Martiniano de Alencar

    Nasceu em Messejana, na época um município vizinho a Fortaleza. A família transferiu-se para a capital do Império do Brasil, Rio de Janeiro, e José de Alencar, então com onze anos, foi matriculado no Colégio de Instrução Elementar. Em 1844, matriculou-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo, começando o curso de Direito em 1846. Fundou, na época, a revista Ensaios Literários, onde publicou o artigo questões de estilo. Formou-se em direito, em 1850, e, em 1854, estreou como folhetinista no Correio Mercantil. Em 1856 publica o primeiro romance, Cinco Minutos, seguido de A Viuvinha em 1857. Mas é com O Guarani em (1857) que alcançará notoriedade. Estes romances foram publicados todos em jornais e só depois em livros. José de Alencar foi mais longe nos romances que completam a trilogia indigenista: Iracema (1865) e Ubirajara (1874). O primeiro, epopeia sobre a origem do Ceará, tem como personagem principal a índia Iracema, a

    406 Livros
    1.664 Seguidores
    Ceará, Brasil

    José Martiniano de Alencar