"Sodoma e Gomorra": a homossexualidade em Marcel Proust
"Sodoma e Gomorra", quarto volume do romance "Em busca do tempo perdido", do francês Marcel Proust, narra como, finalmente, seu personagem-narrador, Marcel, toma como mulher Albertine, uma jovem que conhecera em Balbec no segundo tomo ("À sombra das raparigas em flor"), em um verão anterior. Mas, para fazer esse percurso, há um longo desabrochar de personagens e histórias paralelas, em que Marcel se torna, efetivamente, um homem mundano, deixando de lado toda a sua aspiração a tornar-se um escritor. Logo no início do volume, Marcel descobre que o Barão de Charlus é um "invertido", ou seja, homossexual. Ele flagra o barão com Jupien, um empregado de sua residência em Paris, nas cercanias de Guermantes, onde Marcel nutrira uma paixão platônica pela Duquesa de Guermantes. Frequentando bailes e jantares, Marcel vai se tornando cada vez mais entrosado com a aristocracia francesa, ou pelo menos, de um certo grupo aristocrático. Como nos volumes precedentes, Marcel, apesar de ser um narrador em primeira pessoa, é também um narrador onisciente. A causa disso se saberá no último volume, quando, efetivamente, ele se torna um escritor. Mas não vamos nos adiantar tanto. Depois de frequentar a sociedade em Paris, observando o Barão de Charlus de quem, publicamente, fala-se pouco em ser um "invertido", Marcel retorna a Balbec, agora sem a sua avó. Volta acompanhado da mãe, mas ela já é uma mulher que ele deixa de lado por suas outras obrigações, e não mais aquela de quem depende de um beijo de boa noite para dormir. Ainda em Paris, Marcel chega a receber um "proposta" do sr. de Charlus, mas este logo se irrita com Marcel e passa a investir em outros jovens, como o violinista Morel, este, sim, com as mesmas inclinações sexuais que o barão. Em Balbec, a estadia é agitada: semanalmente, Marcel viaja em caravana em um trem para a residência dos Verdurin, onde se reuniam às quartas-feiras. Albertine começa a frequentar a casa juntamente com Marcel, e o amor que principiaram a ter no outro verão começa a se consumar. No entanto, logo Marcel enjoa de Albertine, que já tratava com certa frieza mesmo em Paris, e, na véspera de voltar áquela cidade, comunica à sua mãe que não pretende desposá-la. No entanto, naquela noite Albertine revela ser uma amiga muito íntima da Srta. Vinteuil, uma moça lésbica. Logo Marcel passou a se martirizar com o fato, imaginando que Albertine poderia ter um romance com essa moça. A ideia de ter uma concorrente, ainda mais uma mulher, e a lembrança de um carinho que Albertine havia feito em Andrée, fizeram-no acreditar que Albertine de fato tinha amores lésbicos e prendeu-a junto de si, pedindo que ela fosse ao seu hotel passar a noite com ele. Ela, que era órfã e deveria viajar ao encontro da família da amiga, concorda, não somente em passar aquela noite no hotel de Balbec, como em seguir a Paris com Marcel, com quem viveria sem os pais deste, que estariam em Combray. É entre soluços que Marcel explica a sua mãe que se enganara, que precisava de Albertine, embora não lhe narre os motivos reais de seus ciúmes. No quinto tomo, "A prisioneira", Proust irá narrar a vida em comum dos dois jovens.

