Anardeus não é um livro para a literatura atual, a escrita dele é algo além. Não digo que ele é futurista, porque não é, mas sim que é uma obra que a atual literatura brasileira não merece. No meio de tantos livros sem propósito e mal encaixados, ou até erroneamente publicados. É denso, é envolvente e, acima de tudo, além do seu tempo. Surreal e insano, foge da realidade que em que estão os livros atuais.
Comecei a leitura sem saber o que esperar, murmurando um “Surpreenda-me”.
Li as partes que o Walter postou no Wattpad e fiquei com a curiosidade atiçada, sabendo que essa era uma história para ser lida, e não ficar na estante juntando poeira com tantos outros. Não, Anardeus implora pela leitura e satisfaz plenamente.
Com uma narrativa pesada e não muito descritiva, Walter nos leva dentro da mente de personagens tão singulares e humanos, completamente humanos, cheios de falhas e defeitos que muitos autores tentam disfarçar ou ignorar, fingir que não existem ou não estão lá. O pior o ser humano é jogado na tua cara, bem tipo “Olha a merda que você é”. Outro ponto extremamente positivo é a troca de narradores e a estrutura e estética da narrativa de cada um deles, mais como o tom de voz com que os personagens ditam suas partes.
Terminei a leitura em pouco menos de duas horas. Sentei minha bundinha no terminal rodoviário, logo após sair do lançamento, lá pelas 8:50 e mais ou menos 10:20 eu já havia terminado. Não digo que li rapidamente porque o livro é curto – quantas vezes pegamos um livro com 80 página e levamos meses para terminar? -, mas sim que é impossível soltar. Anardeus te prende de uma forma impossível de soltar e fazer outra coisa.
Como autora (e não aspirante), fiquei extremamente maravilhosa com o que li ao ponto de começar a chorar. Também me senti triste, chateada porque fiquei com a sensação de que qualquer coisa que eu venha a trazer ao mundo literário, qualquer obra ou trabalho que eu publique, será inútil e desnecessário, pois será como adicionar mais líquido a um copo já cheio. Como se qualquer contribuição minha à literatura será apenas mais uma na poça com centenas de outros trabalhos já que Anardeus nasceu para chegar aos céus e o resto é resto.
Não sei quanto ao Walter, mas se Anardeus fosse meu, ao concluir, me sentiria como uma idosa com cinco filhos muito bem sucedidos em suas carreiras e netos caminhando na direção certa: dever cumprido.
Postei essa foto há poucas horas, tentando definir o livro com apenas uma palavra. Agora percebo que usei a expressão errada, a correta é mind blowing.