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    Sacher-Masoch - o frio e cruel

    Gilles Deleuze

    Jorge Zahar
    2009
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788537800904
    Português Brasileiro
    4
    49 avaliações
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    O destino de Masoch é duplamente injusto, resume Deleuze, um dos mais importantes pensadores contemporâneos. Sacher-Masoch, que inspirou a formulação do neologismo masoquismo, teve ao longo dos anos sua obra praticamente esquecida e associada com os escritos do Marquês de Sade. O filósofo realiza uma brilhante leitura comparativa entre as obras do austríaco e de Sade, atento ao valor literário e ao viés psicanalítico. Um livro que ilustra bem a ideia deleuziana de que o artista ou o escritor é um pensador tanto quanto o filósofo ou o cientista.

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    Joachin Azevedo02/12/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A literatura tem proporcionado aos teóricos da psicanálise acesso a uma gama de situações narrativas e personagens marcados pela demonomania, paranoia, catalepsia, histero-epilepsia, erotomania, misoginia, sodomia (então tratada como problema clínico), alucinações visuais, olfativas e acústicas, sonambulismo, sadismo, fetichismo, pigmalionismo, necrofilia, estupro e pedofilia. Assim, essa literatura também se presta ao papel de um imenso guia clínico de patologias e de vazões aos delírios inconscientes de seus autores. Seguindo esses rastros, Gilles Deleuze se desloca, com grande desenvoltura, pelos campos da teoria literária, da filosofia e da psicanálise para separar o termo sadomasoquismo, que acabou tornando-se um clichê da cultura contemporânea. Para esse filósofo, a linguagem do escritor austríaco Sacher-Masoch visa fazer estremecer a própria literatura e dotá-la de autorreferencialidade. de toda forma, os termos sadismo e masoquismo não podem ser conectados arbitrariamente porque em Sade o que está em jogo é a instituição da lei que não convence, porém ordena e em Masoch, o que está em jogo é a persuasão e o acordo.

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    Gilles Deleuze

    O trabalho de Deleuze se divide em dois grupos: por um lado, monografias interpretando filósofos modernos (Spinoza, Leibniz, Hume, Kant, Nietzsche, Bergson, Foucault) e por outro, interpretando obras de artistas (Proust, Kafka, Francis Bacon, este último o pintor moderno, não o filósofo renascentista); por outro lado, temas filosóficos ecléticos centrado na produção de conceitos como diferença, sentido, evento, rizoma, etc. O filósofo do Corpo-sem-Órgãos (figura estética de Antonin Artaud, retomada como conceito filosófico por Deleuze em parceria com Félix Guattari). Para ele, O ofício do filósofo é inventar conceitos. Assim como Nietzsche cria a personagem-conceito de Zaratustra, Deleuze afirma em L'abécédaire, entrevista dada a Claire Parnet, ter criado com Félix Guattari o conceito de ritornelo - refrão, forma de reterritorialização (povoamento), e desterritorializaçao. Uma filosofia da imanência, dos diagramas, dos acontecimentos. As principais influências filosóficas terão sido Nietzsche, Henri Bergson e Spinoza. Uma das grandes contribuições de Deleuze foi ter se utilizado do cinema para expor sua forma de pensamento, através dos conceitos de cinema-movimento e cinema-tempo. Deleuze foi um dos filósofos que teorizou as instâncias do atual e do virtual (já elaboradas por outros pensadores), construindo um olhar sobre o mundo a partir das possibilidades: "Um pouco de possível, senão sufoco"

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    Gilles Deleuze