O segundo volume da História do Declínio do Império Romano abrange desde as perseguições aos cristãos até a batalha de Adrianópolis, entre o Imperador Valente e Fritigerno, líder dos bárbaros, e que marcou o início da derrocada de Roma, noventa e oito anos antes da queda da cidade eterna.
A oba de gibbon é carregada de fatos e de considerações, e de constantes notas de rodapé que exploram os temas para além do fio da narrativa. Exemplo da meticulosa pesquisa feita pelo autor é a frustrada tratativa do Imperador Juliano de reconstruir o templo de Jerusalém, um agrado aos judeus movido pelo ódio aos cristãos.
Este fato histórico foi atestado por Sto. Ambrósio na Epístola ao Imperador Teodósio, por S. João Crisóstomo, por Gregório Nazianzeno, todos fontes eclasiásticas, mas também pelo filósofo Ammianus Marcellinus, autor do relato fantástico transcrito a seguir:
"Enquanto Alípio, auxiliado pelo governador da província, instava, com vigor e diligência, a execução da obra, horríveis bolas de fogo irrompiam perto das fundações, com ataques frequentes e reiterados, tornavam o local, de tempos em tempos, inacessível aos operários chamuscados e destruídos;"
A História é, de fato, surpreendentemente cíclica. Se hoje a Europa quase inteira enfrenta as consequências de uma imigração descontrolada, Gibbon, ainda no século XVIII, depois de atribuir o princípio da queda de Roma à imigração dos bárbaros, ilustra o desatino do imperador Valente em receber toda a população dos Godos em território romano com a observação de que nenhum estadista europeu jamais consideraria a propriedade ou os perigos de admitir ou de rejeitar uma multidão inumerável de estrangeiros, mesmo que premidos pelo desespero e pela fome, nos territórios de uma nação civilizada.