Enredo com linguagem fácil e acessível, e o já no consagrado estilo de ação, com toques de contexto histórico, romance e investigação. Essa poderia ser uma das definições de Moscou Contra 007, livro publicado em 1956 pelo escritor britânico Ian Fleming. Aqui temos mais uma aventura do famoso espião James Bond, desta feita tentando se livrar de um plano de assassinato em que o alvo é o próprio 007. A história se passa no Expresso do Oriente, um comboio ferroviário que atravessa a Europa partindo da Turquia. Bond tem a missão de escoltar a cabo Tatiana Romanova, uma agente soviética, sedutora e ingênua que decide fugir da MGB, a agência de espionagem soviética em troca de asilo e informações. O que Bond e nem a agência britânica de espionagem sabiam é que por trás dessa deserção existe um plano de assassinato do 007 organizado pela SMERSH, contração de Smiert Spionam (Morte aos Espiões), o mais secreto departamento do governo soviético.
Planejado pelo alto escalão da SMERSH, e comandada pela tenente-coronel Rosa Klebb, os soviéticos enviam o consagrado duplo espião, e agente número 1 da agência, Donavan Grant, o Red Granit. Sanguinário e brutal, Red Granit quer a fama de ser o assassino do 007. A princípio o enredo explica como foi tomada a decisão da morte de Bond e a organização detalhada do plano de sedução por parte de Tatiana Romanova e a posterior tentativa de assassinato do famoso espião britânico.
O livro tem a mesma fórmula utilizada como base para quase todos os livros do 007: linguagem fluída, enredo rápido com pitadas de romance, ação, investigação e muita explicação da espionagem. Quem conhece história, entende que na realidade do período não existem vilões e mocinhos. Na Guerra Fria papéis se misturavam com uma fluidez incrível. Fleming não se importa muito com isso, e entendemos que esse é produto fruto de sua época histórica, onde ele põe um "mocinho" de um lado e pinta o outro lado como sendo o dos "vilões". A intencionalidade dos papéis é fruto e substância para o andamento do enredo. O alerta fica para que não se aceite essas representações como sendo historicamente as verdadeiras.
Um dos problemas mais latentes do enredo está na longa explicação do plano e dos envolvidos. Bond some praticamente na primeira metade do livro. Outro ponto problemático são as pitadas de machismo e o papel que a Tatiana é colocada: mulher frágil e ingênua que quer seduzir Bond o tempo todo. No mais, temos algo que é fruto de uma sequência simples de se entender. Entretenimento consagrado no maistream com os típicos clichês de ação. O final aberto também permite o plot twist para manter a sequência da história no próximo livro. Enfim, um bom livro, porém precisa ser lido com a consciência de que é um fruto de entretenimento. Não sejamos ingênuos quando aos papéis atribuídos. Tudo é dotado de intencionalidade também.