Definitivamente uma aventura. É uma história bem usual no que envolve agentes internacionais (e casaria muito bem com Tommy e Tuppence).
Após uma série de apresentações nos mais diferentes cenários e situações, conhecemos Victoria Jones, que está disposta a ir para Bagdá atrás de uma paixão que acabou de conhecer. Victoria só não esperava que uma pessoa misteriosa morreria bem na sua frente e dentro de seu quarto no hotel, dizendo palavras que não possuem o menor significado para ela. Não demora para perceber que está envolta em uma conspiração que tem Bagdá como centro.
Um ponto mega positivo ao meu ver é a protagonista e de como ela uma excelente mentirosa para se livrar de uma situação (ou até mesmo para entrar numa furada). A rapidez da Victoria de até mesmo mudar um pouco de sua versão anterior é muito plausível, assim como as escolhas para se encontrar com seu amor.
Porém a obra se utiliza de muitas coincidências, com a maioria delas sendo forçadas. São aquelas do tipo que você encontrou a pessoa certa, no local certo, no momento certo, quando você está lendo livro certo e na página certa.
E na maioria das vezes convergem de uma situação que não tem o menor apelo para torná-las mais aceitáveis, sendo que no próprio livro há outras circunstâncias em que seus desdobramentos são muito mais cabíveis (a forma como Victoria acaba parando em Bagdá, por exemplo).
Acredito que esse seja um dos livros em que o suspeito seja o mais lógico para o leitor (quase escrito na testa "sou eu"), mas o foco mesmo é construir um senso aventureiro, o qual foi feito muito bem apesar do início lotado de personagens ou a falta de percepção de urgência de Victoria.
Em contrapartida, Agatha soube trabalhar com detalhes (especificamente dois deles) que o leitor provavelmente nem perceberá que deixou escapar algo. Definitivamente a história de que uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade cai muito bem aqui.