"Apesar de incontrolável e caótico, este grupo também era entusiástico, o que fazia com que fosse divertido trabalhar com eles quando não se estavam a matar." - Torey (p.64)
Mais um relato fantástico sobre as experiências desta minha heroína com as suas crianças. Algo que tenho aprendido com ela é que, por muito que o mundo seja difícil, é sempre possível fazermos com que o de alguém seja um pouco mais bonito. Por mais simples que sejam os nossos actos.
"(...) se conhecermos as pessoas, não vemos que são diferentes. Só vemos como somos parecidos (...)" - Billy (p.182)
O livro aborda diversos temas - alguns deles já retratados em obras anteriores da autora -, fazendo uma passagem pela problemática do racismo que, se não servir para sensibilizar pelas palavras usadas, com certeza o fará através dos actos que vemos serem aqui relatados. A amizade que ultrapassa a diferença e a cor da pele, suponho que seja o maior e mais importante deles.
"(...) não devíamos chegar ao ponto de sermos tão sensíveis à possibilidade de nos ofendermos mutuamente que deixamos de nos ajudar uns aos outros (...)" - Torey (p.218)
Se, para mim, foi frustrante o quanto a pequena protagonista desta "turma", digamos assim, demorou a deixar-se conhecer, só posso imaginar o quanto o terá sido para a própria Torey na situação que foi por ela retratada.
"- Que provavelmente tens razão - declarou em voz baixa, olhando para mim. - Que gostava de salvar o mundo como eu e tu achávamos que íamos fazer nos anos 70. Quem me dera que fosse tão fácil como pensávamos." - Bob (p.227)
A visão de "salvar o mundo" talvez seja o maior sonho dos que vivem para trabalhar com este tipo de crianças. De pessoas. Não é uma visão descabida, na minha opinião, apenas existe uma muito pequena parte de pessoas que consegue ter coragem de a ter, em algum momento da sua vida.
Mais uma vez, terminei a história lavada em lágrimas. Estas, como outras experiências de vida, podem ser bastante pesadas.
E, mais uma vez, o último cenário antes do Epílogo marcou aquilo que, na minha óptica, é o essencial na vida de alguém que sonha em "salvar o mundo" de alguma forma: conseguir que as últimas palavras do relato da vida de uma criança sejam as mesmas que a pequena Venus deixou escritas naquela folha de papel : "Estou feliz". É isso que, de alguma forma, faz a diferença no mundo dessas pessoas. A todos aqueles que o fazem, mesmo que seja só um pouquinho todos os dias, o meu sincero e enorme OBRIGADA ♡ todos vós têm um lugar no meu coração ♡♡