Como se pode aferir do título deste livro, o ponto de partida da interpretação de Müller-Lauter são os antagonismos na filosofia de Nietzsche, a partir do mais fundamental deles, que a própria doutrina da vontade de potência nos oferece. É a partir da vontade de potência que o autor esclarece a crítica nietzschiana à rigidez da metafísica tradicional, abandonando conceitos estanques em prol de uma filosofia dinâmica, em que os antagonismos oferecem lugar também ao pluralismo e à complementaridade. Como decorrência da vontade de potência, uma filosofia dos antagonismos não pode existir senão nos antagonismos de sua filosofia, ou melhor, não há como pensar antagonismos senão de maneira antagônica: seu próprio modo de filosofar não é independente de suas questões, conduzindo, assim, não apenas a uma nova busca, mas a um novo método, cujo movimento lhe é conferido pela própria tensão. A partir daí o autor explora os temas centrais da filosofia de Nietzsche, como o niilismo, o cristianismo, a vontade de verdade e o além-do-homem.
