Este é um livro complicado, com várias partes que parecem ter sido escritas para confundir o leitor. Inúmeras referências e símbolos são colocados para exprimir ideias não muito óbvias. Os próprios nomes dos personagens são referências a personalidades importantes, como Nietzsche e Dorian Gray, por exemplo.
A estória começa no diálogo entre dois homens separados por uma sacada. Estão a descrever uma revolução (fictícia) ocorrida no México. No centro dessa revolução estão os três amigos Saul, Aaron e Dante.
O governo autoritário é derrubado, os revolucionários assumem e o que vem em seguida é um terrível caos, onde os amigos revolucionários são capazes de tirarem a vida um do outro pelo bem da revolução, sem saber que por trás dela existe um sistema que os usa como parasita. O cenário é de violência e perplexidade. O poder demonstra sua capacidade de embotar as mentes mais bem intencionadas.
Trechos:
"Tudo se perde, tudo se fraciona, ninguém entende que uma bela casa particular também é de todos precisamente por ser bela. Logo não haverá quem defenda sequer os bosques e os parques, um dia se perderá todo o senso de comunidade - curiosamente em nome da comunidade. A beleza é obra de indivíduos e a desfrutam todos; não é,como acabaram por fazermos crer, obra de todos para desfrute individual."
"Escute-me. Minha família data de mais de cinco séculos. Quisera contar o número de mortos que demos a nossas respectivas pátrias. Não importa. Tal como eu o vejo, a guerra foi uma só. Desde antes de nós. O senhor tem razão. Morreram trabalhadores nos fronts. Também gente de minha classe. Só que os trabalhadores se renovam. Por mais operários que morram numa guerra, atrás deles viram outros que o substituam... Em contrapartida, minha classe vai sendo ceifada, General, já não nos renovamos. Há os que perderam a todos os seus filhos na guerra. A interminável guerra."