Sofia era muito curiosa e queria descobrir o que a vida tem a oferecer. Para isso seria preciso sair para o mundo, mas a menina estava de cama, muito doente. Certa noite, seus bonecos e bichos de brinquedo criaram vida e subiram ao palco do teatrinho de marionetes: o palhaço Augusto, Zé Minhocão, Terror, Anabela, Ulimar, Ursolino. A menina se juntou a eles numa aventura de sonho, em que se encontraram o que a vida tinha a oferecer: coisas boas, coisas ruins, gente de um jeito, gente do outro. O sonho acabou, Sofia amanheceu morta. E foi então que ela partiu com seus amigos para uma verdadeira viagem sem fim.
A Pequena Sofia -
Els Pelgrom
Comove até o coração mais peludo
Sofia é uma garotinha por volta dos seus sete ou oito anos de idade, muito meiga e muito tímida, que está há muito tempo doente e por conta de sua saúde muito frágil fica o tempo todo trancafiada em casa. Trata-se de uma paciente em vulnerabilidade extrema. Não resta a ela muito tempo de vida, portanto, apenas cuidados paliativos são realizados em sua própria residência. Por conta disso se sente minúscula e invisível, tendo apenas como amigos de confiança, seus brinquedos. Tudo isso são detalhes que autora do livro não conta ao leitor explicitamente, pelo contrário. Ela vai criar a partir do realismo mágico uma alegoria narrativa. Ou seja, uma narrativa que vai servir como uma metáfora para um significado mais profundo, revelando, aos poucos, verdades sobre a condição oncológica de Sofia, nos levando a um exercício de assimilação e percepção. A infância é uma etapa mágica e importante da nossa vida. Esse livro propõe uma reconexão à essa etapa da vida, ao imaginar as últimas horas de vida de uma criança paciente terminal que usa da sua imaginação para embarcar numa jornada fantástica por um mundo que mais se parece um vale de lágrimas, onde os habitantes são sarcásticos, cínicos, chapados, corrompidos, mesquinhos e ingratos. Sofia tem ciência que a sua vida está definhando, que está numa briga contra o relógio. Nesse limiar entre a vida e a morte, ela busca desvendar respostas para duas perguntas: O que a vida ainda tem a oferecer? E o que acontece quando a gente morre? Em sua viagem mágica, Sofia encontrará as suas respostas. E por qual razão alguém leria um livro tão cruel, sombrio e melancólico? Será que de tristeza já não basta a vida real?O medo de deixar mais triste aquilo que já é triste é aquela porta que a gente quer manter sempre trancada a sete chaves. Não queremos abri-la nunca, no máximo espiar pela fechadura. Que pena! Pois é possível que por trás dessa porta existem muitos aprendizados, já que é na tristeza e no fracasso que nos tornamos mais fortes. É desafiador, eu sei. E a pequena Sofia também sabe disso. Mas vai por mim, abra a maçaneta, tenha coragem de entrar. Pois é Sofia quem está atrás da porta. E ela tem uma linda mensagem para te transmitir.
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