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    Fausto - Uma Tragédia - Primeira Parte

    Goethe

    34
    2004
    552 páginas
    18h 24m
    ISBN-10: 8573262915
    Português Brasileiro
    4.5
    928 avaliações
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    Favoritos157Desejados2807Avaliaram928

    Último grande poema dos tempos modernos", no dizer de Otto Maria Carpeaux, o "Fausto" de Goethe está para a modernidade assim como a Divina Comédia de Dante está para a Idade Média. Repletos de referências aos mais diversos campos do saber, os dois textos representam não apenas a obra máxima de seus autores, mas a suma do conhecimento humano e das aspirações espirituais de suas épocas. Escrito e reescrito ao longo de mais de 60 anos, o Fausto integral - compreendendo a primeira e a segunda parte - só seria concluído às vésperas da morte do autor, ocorrida em março de 1832. Já a primeira parte da tragédia (também conhecida como Fausto I), que tem como cerne o pacto de Fausto com Mefistófeles e a conseqüente "tragédia de Margarida", foi elaborada por mais de três décadas, de 1772 a 1806, sendo finalmente publicada, com aprovação de Goethe, em 1808. É esta primeira parte - que pode ser lida também como obra independente - que aqui se publica. A presente edição, bilíngüe, traz a elogiada tradução de Jenny Klabin Segall (livre dos vários erros tipográficos que se haviam acumulado ao longo de sucessivas reedições) acompanhada por uma esclarecedora introdução do professor Marcus Vinicius Mazzari, da Universidade de São Paulo, autor também das notas e comentários. Este volume conta ainda com o chamado "Saco de Valpúrgis" - versos bastante obscenos que deviam integrar a cena "Noite de Valpúrgis" mas que o próprio Goethe, num gesto de autocensura, deixou de fora da edição canônica de 1808, e que são agora publicados, pela primeira vez em nossa língua, em tradução literal de M. V. Mazzari.

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    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo13/01/2026Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um pacto sem sangue

    Sendo um dos poucos espécimes mais famosos de poesia épica que me faltava ler, escolhi já adentrar 2026 com o canônico Fausto, que para mim foi bastante diferente de todos os outros épicos que desbravei. A começar por assumir uma estrutura teatral, fato que retira de cena (com o perdão do trocadilho) a figura de um narrador universal, uma vez que a narrativa se desenvolve por interações diretas de seus personagens através de diálogos. Antes porém de seguir adiante, é preciso deixar claro que todas as minhas observações abaixo podem derivar de compreensões deficientes e até equívocos interpretativos, dada a dificuldade inerente da leitura. Portanto, preservam impressões pessoais restritas. Por último, consideram somente a Parte I de Fausto. Dito tudo isso.... Em virtude de conhecimentos culturais gerais, sempre acreditei em determinadas ideias a respeito da história dessa figura chamada Fausto. Achava que iria encontrá-las em grande medida na consagrada poesia teatral de Goethe. Pensava, por exemplo, que o pacto fosse facultar a Fausto sua almejada sabedoria, conhecimentos profundos sobre a vida, o universo e tudo mais. Erroneamente imaginava encontrar um retrato de uma longa vida de fruição de riquezas materiais abundantes e o gozo de prazeres físicos, até finalmente seu tempo esgotar e sua alma ser usurpada. Recheando isso tudo, principalmente supunha haver profundos desenvolvimentos ao redor de temas humanos universais. Pode ser que tais expectativas tenham atrapalhado minha experiência com a obra; fato é que, em verdade e na realidade, o que encontrei (e o que não encontrei) me desapontou um tanto; ao final, em comparação com outros, considero Fausto parte I talvez o poema épico mais raso que li até hoje. O que não necessariamente diz mais dele quanto diz dos outros. Metamorfoses é uma pluralidade de significações humanas universais; Iliada e Odisseia é a base formal, mítica e cultural do ocidente; a Eneida também se insere no movimento de Homero; a Comédia de Dante é um conjunto de cenários e imagens épicos que moldaram parte do entendimento (mesmo que não religiosamente canônico) sobre Inferno, Purgatório e Paraíso. O que sobra para o Fausto? O que me pegou especialmente foi não encontrar o desenvolvimento aprofundado, repito: o desenvolvimento aprofundado, de grandes questões humanas universais. Isso é importante: obviamente que a trama de Fausto, tal como é e com os atributos e virtudes que tem, implicitamente fomenta reflexões como essas; meu ponto é que elas não ganham relevantes desenvolvimentos explícitos e minimamente trabalhos no corpo do poema. Foi impossível não comparar o Satã de Paraiso perdido com Mefistófeles. Sata e Adão discutem, com certa profundidade, sobre questões de cunho teológico e filosófico, coisa que me parece ficar à margem entre Fausto e Mefisto. Aliás, Mefisto não é muito assustador ou perverso. Embora seja influente sobre Fausto (muito por conta da passavidade do protagonista) raramente apresenta grandes discursos sedutores e persuasivos (ao contrário do Satã de Milton que assume essas duas características tão caras a uma figura que representa o diabo). Suas maldades não se destacam como tão diabólicas assim. Suas ações orbitam principalmente entre imoralidades e heresias. Ainda que determinadas coisas terríveis aconteçam, a participação decisiva de Fausto nelas, enfraquece bastante a conotação maléfica que Mefisto teria caso fosse o agente exclusivo. Para mim, Mefistófeles como personagem não chega aos pés do Satã de Milton, sobretudo enquanto personalidade e complexidade psicológica. Outra coisa que me incomodou foi que muitos acontecimentos absolutamente relevantes para o desenrolar da história acontecem fora da narrativa, isto é, não é narrado no corpo do poema. De uma cena para a outra eventos acontecem por detrás das cortinas. Não fossem os textinhos trazidos pela editora 34 antes de cada cena, sabe-se lá o grau de comprometimento da leitura. Senti também alguma ausência de coesão, isto é, continuidade entre algumas cenas. O maior exemplo é sem dúvida aquela intitulada Sonho da Noite e Valpurgis ou As bodas de ouro de Oberon e Titânia, cena essa que soa algo deslocada no conjunto total. Quem sabe isso seja em função de que várias das cenas foram escritas em diferentes momentos ao longo da vida do autor, portanto com espaçamentos temporais grandes; décadas às vezes. Sobre edições: Minha leitura foi feita cotejando as traduções publicadas pelas editora 34 e editora Autêntica, respectivamente com autoria de Jenny Klabin Segall e João Barrento. Em alguns trechos tive preferência pelo texto da 34 e tantos outros julguei melhor o texto da Autêntica. De maneira ampla e geral, gostei mais da tradução de João Barrento. Porém, a edição da 34 traz recursos que a tornam mais completa, como as notas de rodapé, item fundamental quando se trata de poemas épicos.

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    Johann Wolfgang von Goethe

    Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã[1] e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang. De sua vasta produção fazem parte: romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais. Além disso, sua correspondência epistolar com pensadores e personalidades da época é grande fonte de pesquisa e análise de seu pensamento. Através do romance Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe tornou-se famoso em toda a Europa no ano de 1774. Mais tarde, com o amadurecimento de sua produção literária, e influenciado pelo também escritor alemão Friedrich Schiller, Goethe se tornou o mais importante autor do Classicismo de Weimar. Goethe é até hoje considerado o mais importante escritor alemão, cuja obra influenciou a literatura de todo o mundo.

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    Frankfurt am Main, Alemanha

    Johann Wolfgang von Goethe