O tempo passa, sem nunca passar dentro de nós, e a história é deixada para trás, presa ao presente e às esperanças futuras. Vive-se um sem fim irrealizável, um novo dia, enquanto os fragmentos simulam uma idéia da vida verdadeira. André Resende compõe com Uma coisa de cada vez uma rede de histórias, personagens e um suposto autor que transitam do sonho ao riso, da angústia ao improvável. As personagens se comunicam pelas rotinas, acontecimentos, parentesco e amizade. Seguem uma orientação, a mensagem que indicaria a fórmula ideal para agir, pensar e realizar-se, não muito longe: exatamente onde estão. Do sonho ao riso, da angústia ao improvável. Cada personagem aplica a orientação uma coisa de cada vez, à qual aderiu em ocasiões e situações diversas, como sentido renovador que aponta a fragilidade da vida. Promessas nascem como bolas de sabão e flutuam vazias, sem compromisso de chegar a lugar nenhum, apenas se equilibram no ar por um tempo e desaparecem diante dos olhos. Esse movimento – equilíbrio, sonho, promessa, angústia - é frágil e não se suporta com aquilo que é. A fragilidade no centro das rotinas cotidianas que sustentam a vida - não apenas em relação à morte, mas em busca de um sentido à existência – aparece ao lado da incomunicabilidade e da dificuldade de chegarmos facilmente ao outro. E um registro, movido pela orientação de que, uma coisa de cada vez, assim como se diz do futuro: o passado é imprevisível. Contadas em voz baixa, sem prometer surpresas e desafios, a não ser o próprio contexto das personagens, as histórias de Uma coisa de cada vez pedem leitura atenta, sentida.
Uma Coisa de Cada Vez - Uma Coisa de Cada Vez
Andre Resende
CUBZAC
2009
174 páginas
5h 48m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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