Notas Sobre o Cinematógrafo -

    Robert Bresson

    Iluminuras
    2005
    143 páginas
    4h 46m
    ISBN-10: 8573212217
    Português Brasileiro

    Notas SOBRE o cinematógrafo é uma preciosa coletânea de frases que o cineasta francês Robert BRESSON foi fazendo ao longo das décadas em que se dedicou à produção de filmes seminais como Pickpocket, Um condenado à morte escapou a grande testemunha. BRESSON pensava a imagem como pintura e o som, como uma partitura musical de ruídos, sempre com o máximo de rigor, com o firme propósito de vislumbrar instantes de eternidade nas ações mais prosaicas do cotidiano. Cinema, para BRESSON, era sinônimo de revelação: uma espécie de decalque de um "real" que se manifesta se velando, nos religando à manifestação divina da própria vida. Era com essa convicção que BRESSON, católico jansenista, preparava cuidadosamente os seus filmes, criando "leis de ferro" para o próprio processo de criação. NOTAS SOBRE o cinematógrafo é todo pontuado por essa visão epifânica da arte cinematográfica e tornou-se uma bíblia das especificidades dessa linguagem misteriosa que é a chamada sétima arte. BRESSON influenciou várias gerações de realizadores, de Jean-Luc Godart a Lars Von Trier. Muitos mandamentos do Dogma 95, criado pelo cineasta dinamarquês, foram extraídos de NOTAS SOBRE o cinematógrafo. Para Godard, que o homenageou em um de seus filmes mais recentes, elogio ao amor, "Bresson é o Cinema francês, como Dostoievski é o romance russo, e Mozart a música alemã". "Construa seu filme SOBRE o branco, SOBRE o silêncio e SOBRE a imobilidade", é um dos ensinamentos de BRESSON que podem ser ouvidos no filme de Godard. Cinema por subtração, sempre movido por um minimalismo desesperado em busca da essência dos sons e das imagens em movimento. A ação nos filmes de BRESSON se desenrola com muita freqüência nas bordas do quadro ou fora dele, numa tentativa de fazer com que cada espectador confeccione a narrativa na própria mente, levando assim o paroxismo as possibilidades sugestivas da linguagem cinematográfica. Como escreve Le Clézio no prefácio deste livro, as frases de BRESSON são "cicatrizes, marcas de sofrimento, jóias preciosas (...) que brilham como estrelas, nos mostrando o árduo e simples caminho rumo à perfeição".

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin25/07/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Por incrível que pareça é a primeira vez que leio esse livro, apesar de ser admiradora do cinema de Bresson desde tempos imemoriais, livro tal que também poderia se chamar Manual zen-budista do diretor de cinema e tal como toda religião e filosofia direcionada peca por um dogmatismo irritante. Não me entenda mal, amo as escolhas específicas que fazem do cinema de Bresson singular, mas ler sobre isso enquanto ele diminuiu todas as outras formas de fazer cinema é deveras enfadonho, não à toa o movimento mais chinfrim do cinema, o Dogma 95, nasceu justamente daqui. É por escrever coisas como essa que até hoje diretores de cinema de gênero não são levados à sério em suas artes, eles que não devem nada à maestria de um Bresson da vida.

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