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    Democracia e Universidade -

    José Saramago

    ed.ufpa, Fundação José Saramago
    2013
    76 páginas
    2h 32m
    ISBN-13: 9788524705182
    Português Brasileiro
    4.4
    23 avaliações
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    Democracia e Universidade" conta com apresentação do reitor da UFPA, Carlos Maneschy, e traz ao leitor dois textos de José Saramago sobre democracia. O primeiro deles, a conferência "Democracia e Universidade", proferida na Universidade Complutense de Madri, em 2005, vem acompanhado do debate que teve lugar em seguida. A partir da referência ao conto “Pierre Menard, autor do Quixote”, de Jorge Luis Borges, ressaltando a historicidade da linguagem, José Saramago procura desvendar um caminho de noções equívocas, que nos leva ao uso corrente de termos como “justiça”, “bondade”, “educação” e, por fim, “utopia”. O debate, por sua vez, centra-se na problematização do termo utopia, que ocupa a parte final da conferência, opondo-o a ação e à tomada de posição para que nos tornemos agentes das necessárias transformações na sociedade. O segundo texto se intitula “Verdade e Ilusão Democrática”. Trata-se, neste caso, de conferência lida em Santiago do Chile, em abril de 2003, no ciclo "Las Conferencias de la Moneda". A partir da Política de Aristóteles e suas considerações a respeito do lugar de pobres e ricos na democracia, passando pela experiência dos romanos, Saramago chega à nossa atual renúncia participativa, renovada a cada quatro anos pelo voto, semelhante ao que, no texto anterior, são as utopias e a renúncia do presente. Para o autor, o voto legitima um sistema que se diz democrático, mas que concentra seu poder na esfera econômica e em nenhum de seus níveis visa ao bem do povo a que representa.

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    Berttoni Licarião12/11/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Este livrinho traz duas conferências proferidas por Saramago. A primeira, “Democracia e universidade”, aconteceu em 2005 na Universidade Complutense de Madrid e é, de fato, um texto inédito do autor aqui no Brasil. A segunda, “Verdade e ilusão democrática”, foi lida em dois momentos: em 1998, numa conferência organizada pela Cátedra Júlio Cortázar, na Universidade de Guadalajara, México; e em 2003, por ocasião das Conferências de La Moneda em Santiago do Chile. Hoje, este segundo texto pode ser encontrado também no Último caderno de Lanzarote: o diário do ano do Nobel. 📖 Não será novidade pra quem já leu os romances do autor, ou conhece algumas de suas declarações, a condenação tácita que Saramago faz do mercado financeiro, “o poder autêntico [...] no qual não se vota, que está num lugar não assinalado, a pressionar, a exigir, a mandar”. Para ele, nossa (iludida) noção de democracia está o tempo todo sendo contestada pelas injustiças sociais e pelos caminhos exploratórios (de recursos naturais e pessoas) reproduzidos por governos que deveriam ser, etimológica ou gregamente falando, do povo e para o povo. Basta ver, e reparar. Saramago propõe, portanto, a “aprendizagem da cidadania” e o abandono das utopias como percurso para a criação do cidadão bom, tomado aqui não apenas como o cumpridor de leis, mas sobretudo como alguém que “tem espírito crítico, que não se resigna, que não aceita que as coisas sejam assim, ou assim sejam vistas apenas porque alguém decidiu”. 📖 Há muitas críticas que podemos fazer à proposta de Saramago de se desenvolver mais profundamente a cidadania no nível universitário. A mais evidente delas é a inexistência de qualquer relação entre o aperfeiçoamento intelectual e o desenvolvimento de um olhar genuinamente preocupado com o outro e seus direitos. Saramago, no entanto, não fala para dar respostas, mas para levantar a dúvida, a instabilidade, e desassossegar o ideal de democracia ao qual vivemos agarrados mas que só funciona para benefício de uma minoria.

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    José Saramago

    José de Sousa Saramago é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira (cineasta) adapta um conto retirado do livro "Objecto Quase", conto esse que viria dar nome ao filme Embargo (filme), uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha. Nasceu na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, é membro do Partido Comunista Português e foi director do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vive atualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

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    José Saramago