Resenha: “Os adoráveis” de Sarra Manning, é um livro que surpreende em vários aspectos e faz com que o leitor sinta um misto de sentimentos envolvendo raiva, incompreensão e compaixão. Em vários sentidos, pode-se dizer que é uma leitura bem dinâmica e divertida pela maneira como autora expôs a narrativa acrescentando toda a tecnologia existente – redes sociais: blog, facebook, twitter e afins – nos dias atuais. Foi justamente este fator que contribuiu para que a história ficasse mais verossímil e contribuísse, portanto, para o envolvimento.
Esta é uma leitura bem agradável e percorre um caminho que requer certos entendimentos. Os personagens mantém os seus próprios conflitos e traços típicos aguçados. É preciso tentar compreender cada um deles de um modo bem individualista para então, analisar o conjunto em si. A narrativa se intercala entre os pensamentos de Jeane e Michael.
Jeane Smith tem dezessete anos, e com seus cabelos e roupas nem um pouco convencionais, mostrou pelo menos de inicio, ser uma pessoa um tanto quando incompreendida. E é possível dizer que toda a sua antipatia e arrogância não convencem muito. Ela é vista como uma pessoa intimidadora, cruel, irritante, intragável e sem nenhuma noção de bom senso. Tem um blog que se chama Adorkable onde ela fala sobre coisas que gosta e no geral, sobre estilo de vida.
Este espaço já lhe rendeu muito conhecimento, bem como já ganhou vários destaques importantes na mídia jornalística. Jeane tem um temperamento incomum, mas também é muito independente, se rotula como feminista, e até já mora sozinha (sendo assim, na vida real é uma pessoa solitária e fragilizada, mesmo que no meio virtual apresente outro ponto de vista). Esta é uma daquelas protagonistas que poderiam render muitos debates por causa de suas decisões e opiniões conflituosas.
Michael Lee não passa muita segurança, assim como não se destaca por ser uma pessoa diferente ou querida. Ele tem um estilo próprio, porém ainda assim é bem casual. E parece ter medo de suas próprias ações. Sua namorada – agora, ex. – se chama Scarlett Thomas. O caso é que ele ainda teria uma namorada se esta não estivesse gostando do namorado de Jeane, Barney. E por causa deste episodio que os dois (Michael e Jeane) vão ser ver com mais frequência. Ele parece estar com o ego ferido, irritado com a situação em que se encontra. Mas se está assim, é apenas por causa das intervenções de Jeanne, com sua hostilidade e sarcasmo.
Depois que Michael – sem querer – derrubou Jeane de sua bicicleta, as coisas ficaram cada vez mais estranhas. Isso porque os dois ficaram abalados por ter ocorrido tantas coisas inusitadas em pouco tempo. Quando se encontram, só existe brigas e mais insultos... Até que os dois se beijam. E depois disso vieram muitos outros beijos e foi difícil pensar como eles ainda não haviam ficado juntos. Não havia muita conversa, só sabiam que não tinha como parar, assim como não tinha muita explicação para isso. Claro que logo começam a se acostumar com a idéia de estarem tão perto um do outro. É também depois disso tudo que o enredo começa a ficar muito mais empolgante e delicioso. É também quando o leitor começa a ficar mais ansioso para decifrar essa relação complicada e ao mesmo tempo tão simples. Tem como compreender?
“Num momento nós estávamos na rua, a bicicleta entre nós, e no momento seguinte, nós estávamos nos beijando. As pessoas sempre dizem: ‘E então, tipo, a próxima coisa de que me lembro foi que estávamos nos beijando’, e que nunca planejaram aquilo. É que precisava haver algo antes do beijo. Mas dessa vez, realmente, não havia.
Era eu, eu, Michael Lee, beijando Jeane Smith.” Pg.110
Este livro levanta uma questão muito importante e que pode servir de lição: as vezes a vida não acontece como o planejado e no fim a gente só tem que agradecer por isso mesmo. Outro lado explorado é sobre o ambiente em que os jovens vivem atualmente, com tanta integração e relacionamentos instáveis. Por meio de tantas perdas e discussões, Jeane e Michael aprenderam muitas coisas e revelaram ser os parceiros ideais, diante de uma história de amor emocionante.