Resenha: “Dois Rios” de T. Greenwood é uma história complexa que aborda assuntos relevantes sobre questões sociais, escolhas que podem mudar uma vida inteira e segredos envolvendo o passado e o presente. Há um misto de sentimentos de ódio, perdão, aflição, compaixão, amor e até cumplicidade.
Com uma narrativa detalhada em épocas distintas e muito bem escrita, o autor cria um quebra-cabeça e é tentador o modo como o leitor precisa desvendar o mistério que cerca cada peça do jogo, para que se encaixe com exatidão.
Harper Montgomery vive em Dois Rios, Vermont com sua filha Shelly. Ele é um homem triste, solitário, deprimente e conservador, e se ficou assim foi após a morte de sua mulher Betsy e por ter feito algo horrível. O modo como narra suas experiências passadas, diante de memórias que lhe assombram, expõe um lado de sua vida que parece não ter tido um bom desfecho e depois de 12 anos ele ainda se martiriza por suas escolhas e atos.
Quando acontece um acidente de trem o leitor pode pensar que a narração irá se focar neste ato, porém não é que acontece. Por outro lado, as descrições do ambiente se mostram adoráveis e vividas, e as características justificam toda a profundidade do enredo, bem como as sensibilidades dos personagens. Dá uma vontade enorme de conhecer esse lugar tão belo e encantador.
O livro expõe assuntos como o racismo, gravidez, morte e doenças. Quando uma adolescente grávida, chamada Maggie, entra na vida de Harper as coisas começam a acontecer rápido demais, ela lhe conta uma história desesperadora e vai morar por um tempo com ele e a filha – e nem tudo parece ser o que é – e a partir desse momento as reviravoltas surgem para surpreender ainda mais o enredo e intimidar qualquer tipo de situação.
É uma história tumultuada, melancólica e opressiva, além de que requer muita analise sob o ponto de vista de cada um e da bagagem emocional que os personagens carregam. Independente de tudo, o mais interessante é poder perceber que existe uma conexão real que envolve a história de cada figura apresentada.
Apresenta também várias mensagens de comoção, envolvendo laços familiares, o verdadeiro amor e a valorização das pessoas que estão ao nosso redor. Nos obriga a pensar em nossas próprias ações e o caminho que escolhemos para determinadas circunstâncias.