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    Clãs da Lua Alfa (Mundos da Ficção Científica #41) -

    Philip K. Dick

    Francisco Alves
    1987
    213 páginas
    7h 6m
    ISBN-10: 8526500910
    Português Brasileiro
    3.6
    126 avaliações
    Leram193Lendo13Querem187Relendo2Abandonos1Resenhas5
    Favoritos7Desejados187Avaliaram126

    Qual é o limite entre a sanidade mental e a loucura? Imagine no futuro uma pequena lua, que tendo um dia servido de asilo para loucos, agora é um estado constituído. Com suas leis e problemas. As pessoas se reúnem em clãs - os Psicóticos, os Hebetizados, os Maníacos, os Paranóicos, os Esquizóides, os Depressivos - de acordo com suas doenças mentais. O resultado é uma sociedade surreal e ao mesmo tempo bizarra, arremedo da nossa. A Terra continua existindo, mas, mesmo nesse espaço que conhecemos, estranhas criaturas circulam e interferem nos destinos humanos. Você irá conhecer a "matéria viscosa", estranha forma de vida com exóticos poderes; Coelho Hentman, protagonista de um famoso programa de humor na televisão; Chuck Rittersdorf, nosso anti-herói e é claro... muitos "simulacros" , dos quais é melhor não falar por agora...

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    Davenir Viganon picture
    Davenir Viganon24/05/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A normalidade da loucura

    A loucura sempre foi abordada nas obras de Philip K. Dick, mas em Clãs da Lua Alfa ela é o tema principal. Imagine uma Lua fora do sistema solar, que já foi um hospital psiquiátrico, se tornar um Estado independente, com clãs que tratam seus estados psicológicos como culturas próprias. Se já é insólito, melhor nem mencionar o fungo telepata de Ganimedes. Estória: Passa-se num futuro onde os seres humanos convivem com vários seres extraterrenos circulando como meros estrangeiros entre nós. Tudo começa com Chuck Rittersdorf, um agente da CIA, arrasado com a recente fim de seu casamento com Mary, uma terapeuta familiar. Chuck se divide entre propostas de trabalho arrumadas por Mary e planos suicidas, enquanto isso Mary se alista para uma missão governamental em na Lua Alfa III M2, em Alfa Centauro. Nesta Lua, que um dia já foi um hospital psiquiátrico gerido pela Terra e tornou-se um Estado independente gerido por clãs derivados dos antigos pacientes, uma reunião entre os líderes dos clãs debate uma possível invasão. Os clãs são: os Infantilistas, os Paranoicos, os Depressivos, os Hebetizados, os Maníacos e os Esquizoides. A loucura da normalidade: Apesar da loucura ser o tema do livro, toda a obra de Philip K. Dick gira entorno das barreiras entre o real e o irreal, onde costumeiramente são esmigalhadas pelo autor. A loucura aqui, é reconhecida pelos ex-pacientes como sua cultura, é a forma de mostrar uma realidade onde essa barreira não existe e derivam as situações mais insólitas e inventivas do livro. Contudo é o encontro de habitantes da Lua Alfa com os da Terra, que vemos essa barreira nos atingir com toda força. O normal é, mostrado com uma dose do pragmatismo tipicamente estadunidense, tão louco quando os clãs. Trama engenhosa: A trama do livro é engenhosa e exige uma leitura atenta aos detalhes, pois o livro é curto e os personagens variados, cheios de interesses próprios e psicologicamente afetados (ou seriam todos normais?). A narrativa segue vários personagens que vão se encontrando, além de Chuck, temos Gabriel Baines, o delegado do clã dos Paranoicos e em um momento segue-se Lebedur um Hebetizado com poderes psíquicos (ou seria apenas mais um louco?). A grande qualidade da narrativa é o aspecto psicológico dos personagens, que não são poucos, tornando-os bastante críveis mesmo os que aparecem pouco. Considerações finais: A trama engenhosa com espionagem, cenários insólitos e personagens estranhos por si já é um bom motivo para ler. Contudo, não é apenas isso, as camadas mais profundas do texto, são capazes de provocar bons momentos de reflexão. Este livro deve ser para um psicólogo o que, O Homem do Castelo Alto é para um historiador. Seria muito interessante saber o que eles teriam a dizer sobre o livro.

    7 curtidas

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    Avaliações

    3.6 / 126
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas2%
    Philip Kindred Dick profile picture

    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick