Creio que a maior virtude de O Homem Fragmentado, de Tibor Moricz, é a criação de situações insuportáveis numa sucessão de perder o fôlego. Que os novos leitores não se iludam: Tibor é implacável, e com certeza vai instalar o desconforto naqueles que procuram num livro apenas entretenimento raso e descompromissado.
A narrativa circular muitas vezes faz com que pensemos que não há nada mais de novo adiante - e acho que é aí que reside toda a força do livro: a repetição aparente das situações vai acrescentando cada vez mais tensão, e mesmo aquilo que julgamos ter lido traz sempre um elemento novo e mais perturbador. Pedro Rangel, o protagonista, não consegue paz nem mesmo na morte, e seu questionamento ao longo do livro acaba por ser o nosso próprio. Tibor Moricz consegue transformar os dramas e angústias do seu(s) personagem(s) nas nossas próprias - e não está nem um pouco preocupado com o bom mocismo de um texto feito para agradar. O autor, através do seu personagem, não responde nenhuma das questões humanas, apenas acrescenta mais uma série de espinhos à nossa já tão combalida consciência. Deixa apenas bem claro que a única saída não leva a lugar nenhum. Jamais.