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    A ILUSTRE CASA DE RAMIRES E A CIDADE E AS SERRAS (Clássicos de Ouro) -

    Eça de Queiroz

    Edições de Ouro / Tecnoprint Gráfica Editora S. A.
    1970
    383 páginas
    12h 46m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    5
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    Tiago Soares25/04/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obra-prima do velho Eça

    Um livro excepcional! A ilustração que Eça de Queiroz faz do espírito antigo da nobreza de Portugal, seu orgulho e sua violência medieval, em contraste com o Portugal burguês, em declínio e descolorido de sua própria época, é realmente uma interessantíssima autoavaliação sobre os ideais de um povo e a sua realidade. Gonçalo Mendes Ramires é personagem difícil de não se identificar, tais são seus defeitos e tais suas qualidades. A vivacidade com que fica retratada a Torre de Santa Irineia, tornada uma das protagonistas do livro, e toda a região rural e mesmo urbana, os parentes dos Ramires... tudo é real demais. Um livro que pode ser lido sem medo, numa edição muito bem feita. A conclusão final do livro é surpreendente, mas se torna óbvia. Gonçalo não representa só ele mesmo, representa bem mais.

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    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz