Resenha em tópicos do livro “Descobridores”.
Pontos fortes da obra: Boorstin conta a história de invenções cruciais como o relógio, a bússola, o telescópio e o microscópio, a imprensa e os caracteres móveis. Desenvolve também a descoberta do tempo, das terras e dos mares, da natureza e da sociedade. É muito interessante notar em toda a exposição dessas descobertas, a presença de sua tese. A grande ilusão da certeza de que já se sabe foi um atraso evidente no desenrolar dessas descobertas. Gosto também de como o livro aborda história. Não é chato como ouvir um professor dar aula, mas é envolvente e incita curiosidade no leitor. O autor também cita figuras históricas extremamente importantes que tiveram papéis relevantes, mas que convencionalmente não são ensinadas em salas de aula. Pontos fracos da obra: Boorstin descreve por si mesmo o objetivo do livro, uma história contada de forma cronológica. Cada uma das quinze partes sobrepõe-se cronologicamente à sua antecessora à medida que a história avança da Antiguidade para o presente. Como o autor mesmo diz, o livro não aborda a história do homem e seu Criador. Se toda história tem seu começo , então a história do mundo deve ter seu começo, não? Se o objetivo é cronológico, então não contar o começo da história não é falhar com seu objetivo? Como a história começou? Como o mundo surgiu? Quem foi que colocou no homem o desejo de descobrir, conhecer, saber? Boorstin se concentra numa questão central: a necessidade da espécie humana de saber. O ser humano certamente deseja saber como surgiu, mas Boorstin também não responde a esta pergunta. Há também um foco enorme nas explorações e avanços do mundo europeu. Grandes civilizações asiáticas, africanas e do Oriente Médio só são abordadas quando se cruzam com a história europeia. Tese de Boorstin: A grande ilusão. Já na introdução do livro o autor cita que os obstáculos da descoberta fizeram parte da nossa história. O conceito da tese pode ser resumido na frase de Daniel: “O maior obstáculo à descoberta não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento”. Boorstin afirma que é somente lutando contra os fatos e dogmas dos vigentes eruditos que podemos avançar na descoberta do conhecimento. Ao longo da exposição da história cronológica do mundo no livro podemos ver claramente como a crença da certeza da dominação e do conhecimento do universo apenas atrasou o avanço da ciência, geografia, astronomia, natureza e etc. O caminho para o saber, de acordo com Boorstin, exige o questionamento dos conhecimentos estabelecidos da época, superando a ilusão de que já se sabia tudo o que precisavam saber. Atitudes intencionais ou não em relação a culturas, religiões e eventos políticos: Cultura: embora Boorstin celebre a capacidade genial universal, podemos ver ainda que de forma não intencional relata o avanço científico e geográfico com o foco em sociedades ocidentais, como a Europa. O auge do progresso é a chegada do explorador europeu. Religião: Intencionalmente, Boorstin retrata o dogma religioso como uma barreira que impede o avanço da ciência, geográfica e do empírico, um exemplo clássico é a perseguição religiosa à teoria heliocêntrica de Copérnico. Eventos políticos: De forma intencional e clara, Boorstin desvia seu foco em formação de governos, guerras ou ascensão e quedas de impérios. Em vez de líderes de estado, generais, seu foco são indivíduos curiosos, com sede de descoberta, tais como cientistas, navegadores, astrônomos, cartógrafos e etc.







