Abstrato, a definição de amor costuma ser polarizada quanto à afeição, dado nome como uma idealização comum. Guy de Maupassant, francês dito processual, desmantelou essa prerrogativa na sua prolífica carreira narrativa. Nesta coletânea de 15 contos, ele desvirtua o sentido da palavra abrangendo-a às suas muitas variáveis.
Maupassant, enquanto explorador das vicissitudes que convinham aos franceses e à França de antes, deixa às vistas neste compilado os tipos de amantes, românticos, obcecados, iludidos, golpistas, infelizes, poligâmicos, uma grande turba. Sua temática cara ao amor é relevante ao encontro do fantástico literário, recurso em que ele embrenhou a alma humana.
Em Um ardil, um médico oferece seus serviços de confessor a uma paciente para lhe apoiar em caso de desvirtuamento conjugal, que ele alega ser inato ao homem; A morta também resvala a desromantização do amor romântico entre um casal, seu esposo e a mulher, recém falecida, numa climática revelação. A empalhadora rechaça o desgaste da distinção classista num triste relato platônico, já em Divórcio, os interesses financeiros podem assumir as rédeas do casamento como um contrato social. O conto homônimo é uma concentração de Maupassant em descrever as desventuras de uma mulher do subúrbio que se descontrói ao universo cosmopolita parisiense, reunindo o mítico do romanceiro da cidade Luz e sua desilusão panfletária. As sepulcrais e A cabeleira tem a engenhosidade singular e seu oposto, a loucura, respectivamente. Objetivas, as histórias são encontros lúcidos, e polêmicos, de realismos postos à prova.
Maupassant se emparelhava aos colegas francófonos (foi pupilo de Flaubert), os mais destemidos trabalhadores das letras de toda Europa, e enredava-se à diversão de expor a cognição do ser durante/após a paixão, preterindo aos mais desgraçados. Para ele, como um estudo coletivo, tudo é o que parece bom enquanto durar.