Sempre me perguntei por que os escritores franceses, do gênero romances românticos, não eram muito conhecidos entre nós. Principalmente porque a França é considerada um dos países mais românticos do mundo, e além de tudo, com um percentual de leitores muito superior ao nosso. Então pensei: será que os franceses teriam algum preconceito em relação aos livros que tanto adoramos?
Sincronicidade ou não, em poucas semanas sou surpreendida com a notícia do lançamento do livro “Pela Luz dos Olhos Seus”, da escritora francesa Janine Boissard, claro que a minha expectativa em relação ao livro estava a mil. Para completar, os comentários eram sempre muito positivos e animadores. E, para meu total desespero, o livro demorou demais para chegar...
Porém, assim que o tive em minhas mãos, saí da realidade e caí de cabeça no universo de Laura e Claudio.
Eu não sei você leitor, mas sempre imagino os personagens com as características de algum ator conhecido. É incontrolável! E, não imaginei a Laura diferente da “atriz-gracinha” Audrey Tautou. Quanto à imagem de Claudio, não consegui pensar em ninguém além de Andrea Bocelli! Sei que é clichê, mas... Sem contar que eu não simpatizei muito com essa “pessoa”!
Leitor, alguém com uma dor reage de formas muito variadas, afinal não existe um comportamento padrão com relação aos nossos sofrimentos, mas imagino que nada possa desculpar a indelicadeza e a indiscrição, concorda? Não? Ok! Isto também está na conta.
Pois é, o Claudio foi vítima de um ato de extrema violência quando se preparava para interpretar Alfredo, personagem masculino principal da ópera La Traviata, papel com que sonhara desde muito jovem, e que deveria encenar junto com Hélène, sua namorada na época, e que mesmo passados dois anos dessa tragédia ainda alimenta o sonho de se tornar sua esposa.
Porém, Claudio não supera as dificuldades e o tempo só o torna mais amargo e irascível, e é justamente nessa hora que entra Laura, uma assessora de imprensa, no início de sua promissora carreira.
Nossa Laurinha – Claudio a chama desse jeito, em seus momentos bons – era uma garota muito cativante e querida, porém para o meu gosto, muito insegura em relação à sua aparência, ou mais precisamente a falta de uma boa aparência. Portanto, nada mais lógico do que aproximar uma pessoa pretensamente insignificante de um deficiente visual egocêntrico e talentoso.
Nenhuma surpresa quando, logo de cara, Laura o acompanha em uma apresentação e se descobre irremediavelmente apaixonada por Claudio. A partir daí, Claudio decide que para acompanhá-lo somente Laura seria adequada, e tanta proximidade faz com que ela descubra a imensa dor que Claudio carregava em seu peito, e temerosa e apaixonada resolve cobrar uma dívida e faz com que Claudio aceite fazer, em Nova Iorque, um transplante de córnea.
O transplante é um sucesso, mas Laura temendo que Claudio a repudie, foge imediatamente após certificar-se do sucesso do transplante, abandonando seu emprego, família, amigos, enfim, tudo.
Leitor, preciso confessar que adorei o enredo, a trilha sonora, e vou parando por aí, pois apesar de ter uma linda história de amor, Janine Boissard não elaborou o texto, seu glossário é pobre e pouco inspirado, os diálogos decepcionantes, e preciso dizer, banais e quase inexistentes, sem contar que o final foi abrupto e, me desculpe o termo chulo, muito broxante...
Existe uma edição portuguesa desse romance com o título “Sob O Olhar do Amor”, contudo, a edição brasileira é perfeita, além da capa do livro ser maravilhosa. A Editora Arqueiro tem nos brindado com livros que há muito desejávamos, e com uma frequência muito civilizada.
Uma leitura rápida, para uma tarde chuvosa, e para quando você não tiver coisa melhor na sua estante.