Numa terra de cegos em que todos estão convencidos que nada mais existe para além da realidade que conhecem, quando um estranho surge de fora e tenta convencê-los do contrário, não é de admirar que não só não acreditem nele como ainda o tratem com alguma hostilidade. Numa primeira fase, a da condescendência, Nunez é encarado pelos cegos como um ser ainda não totalmente formado e sobretudo insano. Mas dada a sua insistência em querer fazê-los acreditar na faculdade da visão, rapidamente se torna um ser incômodo e a expulsão violenta surge como única forma de proteger a comunidade. Assim, a Nunez só resta assumir a sua inferioridade e impotência que contraria a sua convicção inicial de que "em terra de cegos quem tem olho é rei". E talvez por força do amor de Medína, por quem se apaixona entretanto, ou pela simplicidade e funcionalidade com que tudo se processa no vale, numa espécie de Alegoria da Caverna inversa, o único que detém a "visão" começa a aceitar o mundo das "sombras" como o mundo "real": "gradualmente, o vale transformou-se no mundo verdadeiro para ele, e aquele que se situava para além das montanhas constituía uma região lendária". Mas uma súbita tragédia poderá devolvê-lo ao mundo em que quase deixara de acreditar.
Em terra de cego -
Herbert George Wells
Padrões Culturais
2008
64 páginas
2h 8m
ISBN-13: 9789898160140
Português Brasileiro
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