Traz todas as questões do vestibular da Universidade de 1987 a 2001. Composta por 11 volumes, cada qual em uma área do conhecimento, a coleção apresenta mais de 2.200 questões. Cada volume é precedido por uma apresentação, que trata dos critérios de formulação e correção das provas e dos conhecimentos e habilidades necessários ao vestibulando. Esta coleção não traz as respostas às questões apresentadas.
15 anos de vestibular da Unicamp - Redação
Comvest
Pensando a redação nos vestibulares
O livro tem uma boa apresentação, da qual reproduzo alguns trechos abaixo. Na introdução, a comissão para os vestibulares da Unicamp ressalta muitos dos erros cometidos por professores e alunos quando trabalham com produção de textos. É interessante ver também que, apesar de raros, a Unicamp já optou por temas bem ruins também (a senhora X que briga com a amiga por um bonitão, por exemplo). Vale a olhada – alguns temas, apesar de antigos, são perfeitamente aplicáveis hoje. Trechos: “esta prova ´inventou´ a coletânea, sua marca registrada” “quem acha que a escola é muito repetitiva e, além do mais, coloca o aluno em posição de mero recebedor de coisas feitas, teria que considerar que a escrita seria um caminho para boas soluções.” “Sendo otimista, poder-se-ia apostar que a simples introdução da escrita produzirá algum efeito relevante. Mas isso seria crer um pouco piamente demais na eficácia de práticas realizadas sem projeto. Podem beneficiar um ou outro, aqueles que escreveriam de qualquer forma, apesar da escola.” “Os que ‘pensam’ exames vestibulares e outras formas semelhantes de avaliação propõem em geral que tais provas podem, ou devem, ter duas finalidades: uma seria selecionar candidatos com o perfil desejado pela universidade; outra, interferir de alguma forma na escola, ou seja, na preparação dos candidatos e demais estudantes. (...) Ora, se não houver provas de redação nos vestibulares (ou no ENEM, oi no Provão etc.), a atividade de escrever será abandonada nas escolas. Que, infelizmente, preparam estudantes, antes de mais nada, para as provas.” “A ideia de que é necessário antes saber como se escreve (ortografia, paragrafação, translineação, maiúsculas, tipo de letras etc.) para depois escrever é um dos fatores que retardam a prática da escrita na escola, além de ser uma das razões pelas quais escrever parece ser uma atividade que se supõe ser uma prerrogativa de privilegiados, os que escreveriam porque têm o dom. Ora, o que ocorre com quem escreve é provavelmente o contrário. Talvez valha a pena dizer, apesar dos riscos de mal-entendidos, que, no que se refere à educação escolar, é a prática da escrita que ensina a escrever. Até mesmo, se não principalmente, no que se refere aos aspectos que, por serem os mais visíveis, são os mais aptos a serem objeto de correção e de crítica, E que, espantosamente, são problemas para os candidatos, que não se cansam de perguntar, ano após ano, se podem usar letra de forma na redação do vestibular...” “A novidade, ou a verdadeira diferença, nos vestibulares, não parece ser a introdução da redação, mas a introdução da ESCRITA. Uma redação, como sabe quem vai à escola, é um texto que se escreve de ‘improviso’, sem pesquisa ou consulta, a partir de um tema brevemente formulado, quase um título: o orvalho, o trem, o laser etc. E há examinadores que preferem temas como este último, porque ele pode, além do mais, fazer com que metade dos candidatos escreva sobre o lazer... o que permite boas risadas (cada um ri do que pode) e poupa milhares de correções. A suposição, no caso das redações escolares, é que cabe ao escrevente dar um jeito de, espremendo a cabeça e sendo imaginativo como teriam sido os escritores românticos, produzir um texto original. (Uma tal redação também não é para ser lida, para, por exemplo, conhecer o que de fato interessaria, ou seja, os pontos de vista dos alunos sobre um certo tema; é apenas para ser corrigida, e, preferencialmente, com ênfase nos equívocos de ortografia e de gramática...). Ora, ninguém escreve assim no mundo da escrita. Quem escreve no mundo real pesquisa para escrever. Um repórter vai à cena – vê o jogo, analisa o acidente, cobre a reunião – e lê sobre o tema, consulta enciclopédias, arquivos, ouve ‘especialistas’, entrevista implicados. Por que um aluno deveria inventar um texto a partir do nada? Assim, a introdução da coletânea é o dispositivo que verdadeiramente pode alterar a natureza da redação na escola. Em suma, ela pode transformar o que hoje é redação em efetivo trabalho de escrita, tão pessoal quanto possível”. “(...) coletânea (cumpre a finalidade de (...) possibilitar a escrita no lugar da mera redação” “(...) a coletânea não obriga o candidato a aceitar um ponto de vista” “Não vale a pena oferecer dicas mágicas. Ao contrário, parece razoável propor que a escola nem incentive uma criatividade sem lastro na história, num extremo, nem a mera repetição, no outro, apenas porque esta evitaria riscos na hora da avaliação.”
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