A respeito do Diário de um Ladrão, de Jean Genet, Sartre dizia: "Não é uma arte literária, é um meio de salvação". Creio que é assim que devemos ler o livro de William, pois acima de qualquer juízo de valoração que somos tentados a fazer, William nos mostra uma vida que quer se salvar. Não se salvar de uma forma piegas, mas salvação enquanto auto-estima em toda sua plenitude. Quando eu conheci o mundo da prostituição, conheci também o tão malfadado mundo marginal, o qual só conhecia por intermédio dos jornais sanguinários, e o que encontrei foram, acima de tudo, pessoas, indivíduos com todo um código de ética próprio, com uma forma de viver que gostemos ou não, existe. É deste mundo que William nos fala no seu livro, usando de toda a secura que caracteriza o lugar que ele ocupa. Existem sobre esse mundo as interpretações dos jornais ditos populares e do sistema penal, como existem também as interpretações sociológicas. 400 contra 1 nos dá a interpretação de uma pessoa que conhece a marginalidade de dentro. É só isso!