Amor em Leonoreta -

    Cecília Meireles

    Global
    2013
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788526018976
    Português Brasileiro

    Esta obra reúne sete poemas, publicados inicialmente em edição artesanal de 1951, pouco antes do clássico Romanceiro da Inconfidência, publicado em 1953, e também recua no tempo para dar sentido ao presente por meio da potência da palavra. “Poderíamos dizer que Amor em Leonoreta e Romanceiro da Inconfidência, nascidos de um idêntico impulso estrutural, são livros irmãos na medida em que, em ambos, a autora retroage historicamente, buscando num outro tempo signos que possam iluminar o presente”, diz Miguel Sanches Neto, na apresentação da obra. Inspirada na novela Amadis de Gaula, de 1508, Cecília cria neste livro uma linguagem profundamente identificada à lírica lusitana e suas raízes medievais. Sua recriação resulta numa história de amor típica dos romances de cavalaria, como a inacessibilidade da mulher amada, a exaltação de sua beleza, a onipresença do sofrimento amoroso e até a morte como solução para se alcançar o estado amoroso inatingível em vida, sempre trazendo aquela potência emocional que constitui o estilo da autora.

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    Tales Vieira picture
    Tales Vieira04/02/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Brasil e Portugal

    O primeiro livro publicado de Cecília Meireles é de 1919, pelas duas décadas seguintes vivenciou a contenda literária entre autores brasileiros e portugueses, se manteve praticamente sozinha como apreciadora do que vinha de Portugal. Depois da experiência nazifascista da Segunda Guerra Mundial a posição nacionalista do modernismo ficou insustentável e alguns publicaram novas obras amenizando o tom anterior, até nomes com atuação ferrenha. Cecília, por sua vez, viu com bons olhos o surgimento da Távola Redonda, revista portuguesa lançada em 1950 que resgatava a lírica ibérica medieval, era o que ela estava precisando. Colaborou com poemas e em 1951 publicou artesanalmente esse título, a edição orignal teve apenas 116 exemplares. Seria um prelúdio da sua obra prima, o Romanceiro da Inconfidência de 1953. Gosto de como o amor lírico medieval é declaradamente impossível. A mulher amada sequer existe. É um poeta de viola na mão cantando ajoelhado para uma janela vazia.

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