A identidade nacional brasileira na Guerra do Paraguai (1864-1870) -

    Tiago Gomes de Araújo

    Ar Editora
    2013
    327 páginas
    10h 54m
    ISBN-13: 9788565873178
    Português Brasileiro

    O livro busca problematizar os processos sócio-históricos que conduziram à formação da identidade nacional brasileira durante a Guerra do Paraguai. Para tanto, o estudo partiu da análise de corpo documental variado (literatura oitocentista, diários, memórias, lembranças e reminiscências de guerra). O autor também dialoga com teóricos que discutem os conceitos de identidade, memória e cotidiano, mais especificamente, sua utilidade para a interpretação das experiências vividas no passado. Nesse sentido, a identidade brasileira no conflito platino aparece como construção ao mesmo tempo coletiva, mas também orientada por questões de cunho pessoal, atendendo aos anseios privados. O Brasil (enquanto ideia e abstração) ganhava sentido e contornos durante as batalhas, a vitória parecia reforçar os sentimentos de brasilidade. As derrotas causavam questionamentos quanto à validade e a pertinência da guerra. As fontes elencadas apontam para um evento histórico que redundou numa discussão sobre os futuros caminhos políticos, sociais, econômicos e culturais que nosso país adotaria mais tarde. A Questão Militar, a Proclamação da República (1889) e a abolição da escravatura podem ser citadas como exemplos de encaminhamentos que sofreram influência dos resultados do conflito platino. Por suas múltiplas dimensões, a Guerra do Paraguai (1864-1870) merece análises históricas que escrutinem sua importância enquanto instante de construção, formação, afirmação ou mesmo negação de determinadas bases sociais constitutivas do Brasil. É nesse esteio que a presente obra se faz, indicar os mecanismos de elaboração da identidade nacional brasileira na Guerra do Paraguai, a partir da narrativa daqueles que a vivenciaram.

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    Paulo16/02/2019Resenhou um livro
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    Fonte para se iniciar no assunto

    O autor busca entender até que ponto o governo imperial teve sucesso ao tentar criar uma identidade nacional e um sentimento de patriotismo no Brasil durante o maior conflito já ocorrido das Américas. E ele faz isso por meio da análise de diferentes tipos de textos produzidos à época da Guerra ou após, mas tendo como autores personagens que participaram ou foram contemporâneos da conflito. Na primeira parte ele analisa obras de três escritores do século XIX, Machado de Assis, Visconde de Taunay e Luiz José Pereira da Silva. Na segunda e terceira partes ele analisa escritos oficiais contendo a visão de profissionais da Marinha Imperial e do Exército a respeito da Guerra. Dentre os personagens analisados estão o Barão de Teffé e o Barão de Jaceguai, ambos da Marinha, e José Luís Rodrigues da Silva e André Rebouças, esses do Exército. No último capítulo ele também analisa as visões sobre a Guerra de dois personagens, Custódio de Mello, da Marinha e Benjamin Constant do Exército, porém, não por meio de escritos oficiais mas sim de cartas pessoais escritas por eles às suas famílias. As análises do autor são interessantes e ele apresenta extensa bibliografia que pode auxiliar no aprofundamento do assunto. No entanto, percebe-se que a apresentação do texto trouxe muito do estilo dos trabalhos monográficos que certamente serviram de base para a pesquisa do autor. Nesse sentido, o texto perde um pouco da fluidez por conter muitos trechos conceituais, típicos de um trabalho científico, mas que, a meu ver, não são adequados para um livro.

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