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    Inversos Paralelos -

    Mariana Teixeira

    JAC
    2013
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788585262648
    Português Brasileiro
    2.3
    2 avaliações
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    "Os minitextos de Mariana Teixeira, em verso e em prosa, são breves testemunhos de que o cotidiano é feito de sementes. Os fatos menos importantes – pequenos eventos domésticos ou sociais – trazem em si certa grandeza invisível. Basta plantá-los em solo fértil – num livro, por exemplo –, que germinarão e invadirão poros, olhos, sensibilidades. Aprisionada na metrópole, sujeita a suas monótonas interdições, Mariana transforma a clausura diária num jardim de epifanias. Seus minitextos são fugazes explosões de sentido, em que a pólvora é a realidade exterior, objetiva, e a faísca é o mundo interior, subjetivo. Explosões quietas, pacíficas, que não tiram nada do lugar, mas lançam sobre as pessoas e os objetos um delicado lençol de humor radioativo. Mariana faz de um boato, um capacho, um formulário ou uma dieta, por exemplo, instantes de sossegada clarividência. Plantada a semente nuclear, logo brota o cogumelo atômico. Que desaparece rápido, mais rápido do que seu alvorecer. Na mente do leitor fica um brilho de holografia. Na boca, o sabor de uma bala de menta docemente transfigurada." Luiz Bras

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    Eduardo Almeida17/09/2013Resenhou um livro
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    INVERSOS PARALELOS

    Inversos Paralelos. O mundo às avessas. Todos os mundos; os mundos de cada um. Correndo lado a lado, ignorando-se mutuamente num universo particular – um pacto silencioso –, até que se cruzam, impactam, embatem, empatam. Caem na real. Sem grandes utopias, o primeiro livro de Mariana Teixeira não romantiza o mundo, apenas o deseja menos estúpido, mais gentil, menos racional, mais acolhedor, menos partilhado, mais compartilhado; mais e/ou menos humano. São versos cotidianos, feitos de pão na chapa, falta de tempo, (des)encontros, lembranças, sofás, andanças, paisagens urbanas, lágrimas, sinas e signos, resistências, rimas, tv, manchetes de jornal, coisas. Da vida. Quebra-cabeça rejuntado por certo incômodo errante, porém preciso e necessário, de quem observa sem saber direito o que está errado; suspeita de quem percebe, no vai e vem, as pecinhas fora do lugar. De quem não se deixa ludibriar pela amortização permissiva do dia a dia: o "deixa pra lá" que consente. Andar oscilante, insatisfeito, de quem enfrenta a realidade com as armas que tem à mão: uma lata de cerveja, um rinosoro, um celular tijolinho pré-pago, um arrepio de amor – talvez de frio –, cartão de crédito, café com leite para dar coragem. Condições do ser e do não ser. Questão delicada. Em versos e prosas, a autora evoca cenas entrevistas nas ruas, onde procura a poesia das esquinas, a literatura dos botecos, as rimas sugestivas perdidas na primeira ou na segunda gaveta do criado-mudo, entre calmantes para dormir, estimulantes para trabalhar e um livro do Machado para fazer alguma coisa valer a pena, afinal. Dores de cabeça de quem não sossega e pega o problema para si. Um tapa na cara, algumas sabedorias populares, afetos e desafetos, apontamentos e desapontamentos; risos e esperanças também, por que não? Todos os – muitos – lados da moeda. Tudo o que se vive num único dia, se tiver sorte, se estiver disposto a botar os pezinhos descalços na realidade dura. Sonhos e jovialidades entremeados pela vontade decidida de colocar os pingos nos is (somente pontos, sem coraçõezinhos). Vontade de consertar "o que não tem conserto; nem com fé nem com jeito; nem com pé nem com peito". Cutucões, despropósitos, obsessões, politicagens, instantes fotográficos nem sempre fotogênicos, sarcasmos, diferenças, realidades surreais, relativismos. Porque, veja bem... A natureza tenta sobreviver no mundo dos homens, enquanto os homens falecem em sua própria natureza, sozinhos. Os paralelos se invertem. O que Mariana Teixeira quer contar "vai além do conto. Vai além dos dias, das noites. Do sapato molhado e dos espirros vazios. Dos passeios sozinha pelo centro. Da companhia do gato preto". Há quem cruze com um gato desses e faça o sinal da cruz. Por sua vez, Mariana Teixeira agarra o gato, abraça, faz dele um filho. Cruzes! Ela agarra o que há de promissor no cotidiano, intimidado pelos (des)prazeres que correm soltos por aí, sufocado por eles. Assim, desmistifica atitudes e pensamentos mundanos que só têm a prejudicar a vida. Sua e a do gato. Nossa também.

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    Mariana Teixeira

    Mariana Teixeira é poetiza, escritora e redatora. Nasceu em mil novecentos e oitenta e quatro, em Goiás, e morou em quase uma dezena de cidades antes de se mudar para a capital paulista. Participa de grupos de estudos de literatura, filosofia e de saraus. Criadora do blog correndocomosdedos.blogspot.com.br, onde escreve poemas e minicontos, já teve textos publicados em antologias realizadas por Concursos Literários e outros escritores.

    4 Livros
    4 Seguidores
    Goiás, Brasil

    Mariana Teixeira