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    A comunidade que vem -

    Giorgio Agamben

    Autêntica
    2013
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788582171387
    Português Brasileiro
    4.4
    24 avaliações
    Leram55Lendo4Querem49Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos6Desejados49Avaliaram24

    Em A comunidade que vem, Giorgio Agamben lê, com releitura, uma constelação de conceitos e empreende, assim, um mapeamento deles, inserindo-os no tríplice registro do levantamento, da pesquisa e do exame. Agamben define seu livro de 1990 como uma reflexão sobre as relações entre essência e existência, entre quid est e quod est, gerada tanto pela nona seção de Ser e Tempo, dedicada à negatividade, quanto pela proposição 6.44 do Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein, que diz: o que é místico não é como o mundo é, mas que ele seja. O livro, portanto, pode ser lido como uma reflexão sobre o Irreparável, ou em outras palavras, sobre a incontornável condição profana do mundo. Não é fortuito que, para tanto, Agamben adote a fórmula do inventário. A comunidade que vem poderia ser vista como a releitura, feita pelo próprio Agamben, de seu método arqueológico. Mas, aviso aos navegantes: a comunità de Agamben não significa a comunidade nem mesmo o comunismo, o comunitarismo. Che viene também não quer dizer futura. Quer dizer inoperante e decreativa. Impolítica. Algo que está sempre chegando, no meio de uma coletividade e é, justamente, porque nunca acaba de chegar por inteiro, que ela resiste ao coletivo e até mesmo ao indivíduo.

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    Renato Neres picture
    Renato Neres14/08/2016Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O "qualquer" que vem

    Primeiramente, confesso que a leitura deste livro não foi algo fácil. Os textos filosóficos, de uma maneira geral se apresentam a mim como um grande desafio à compreensão. Necessárias foram idas e vindas em determinados trechos. Vou tentar relatar aqui um pouco do que pude compreender. Pensando nas transformações sociais, aquelas que afetam o local, e não só o local mas que também alcançam de certa forma o global, “A Comunidade que vem”, do filósofo italiano Giorgio Agamben vem refletir sobre o ideal político de comunidade, buscando uma outra perspectiva. Uma comunidade de “singularidades quaisquer”. Essas singularidades caracterizam não o qualquer ser, um ser genérico, mas o ser qualquer, que não é nem global , nem individual, que integra a comunidade, mas é considerado precisamente em sua singularidade, em seu ser tal qual é. Este ser, segundo Agamben, vive no limbo: como crianças, não possuem sobre si a condenação eterna nem o desfrute do bem supremo. A obra vai trazer reflexões sobre ética, metafísica, estética e linguagem. O livro possui 103 páginas compostas em capítulos, divididas em duas partes. Na segunda delas o autor retoma o capítulo X, “Irreparável”. Pertence à excelente coleção “Filó”, do Grupo Autêntica. Durante todo o livro o autor vai recorrer à outros pensadores e escritores para reforçar, embasar e/ou ilustrar suas ideias.

    2 curtidas

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    4.4 / 24
    • 5 estrelas58%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Giorgio Agamben profile picture

    Giorgio Agamben

    Agamben foi educado na Universidade de Roma, onde em 1965 escreveu uma tese laurea inédita sobre o pensamento político de Simone Weil. Agamben participou dos seminários Le Thor de Martin Heidegger (sobre Heráclito e Hegel) em 1966 e 1968. Na década de 1970, trabalhou principalmente com linguística, filologia, poética e tópicos da cultura medieval. Nesse período, Agamben começou a elaborar suas preocupações primárias, embora seus rumos políticos ainda não estivessem explícitos. Em 1974-1975 foi fellow do Warburg Institute, University of London, por cortesia de Frances Yates, a quem conheceu por intermédio de Italo Calvino. Durante esta bolsa, Agamben começou a desenvolver seu segundo livro, Stanzas (1977). Agamben esteve próximo dos poetas Giorgio Caproni e José Bergamín, e da romancista italiana Elsa Morante, a quem dedicou os ensaios "A Celebração do Tesouro Escondido" (em O Fim do Poema) e "A Paródia" (em Profanações). . Foi amigo e colaborador de eminentes intelectuais como Pier Paolo Pasolini (em cujo O Evangelho Segundo São Mateus fez o papel de Filipe), Italo Calvino (com quem colaborou, por um curto período, como assessor do editora Einaudi e desenvolveu planos para uma revista), Ingeborg Bachmann, Pierre Klossowski, Guy Debord, Jean-Luc Nancy, Jacques Derrida, Antonio Negri, Jean-François Lyotard e muitos, muitos outros. O pensamento político de Agamben foi fundado em suas leituras da Política de Aristóteles, da Ética a Nicômaco e do tratado Sobre a Alma, bem como nas tradições exegéticas sobre esses textos na Antiguidade Tardia e na Idade Média. Em sua obra posterior, Agamben intervém nos debates teóricos que se seguiram à publicação do ensaio de Nancy La communauté désoeuvrée (1983) e da resposta de Maurice Blanchot, La communauté inavouable (1983). Esses textos analisavam a noção de comunidade em um momento em que a Comunidade Européia estava em debate. Agamben propôs seu próprio modelo de comunidade que não pressupunha categorias de identidade em The Coming Community (1990). Nessa época, Agamben também analisava a condição ontológica e a atitude “política” de Bartleby (do conto de Herman Melville) – um escrivão que “prefere não” escrever. Atualmente, Agamben leciona na Accademia di Architettura di Mendrisio (Università della Svizzera Italiana) e lecionou na Università IUAV di Venezia, no Collège International de Philosophie em Paris e na European Graduate School em Saas-Fee, Suíça; anteriormente lecionou na Universidade de Macerata e na Universidade de Verona, ambas na Itália. Ele também ocupou cargos de visita em várias universidades americanas, desde a University of California, Berkeley, até a Northwestern University, e na Heinrich Heine University, Düsseldorf. Agamben recebeu o Prix Européen de l'Essai Charles Veillon em 2006. Em 2013, ele recebeu o Prêmio Dr. Leopold Lucas da Universidade de Tübingen por seu trabalho intitulado Leviathans Rätsel (Leviathan's Riddle, traduzido para o inglês por Paul Silas Peterson)

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    Giorgio Agamben