Minutas do Caos é poesia desde o título. Frede é rico, contabiliza recursos poéticos. Frederico rege uma orquestra. Frederico Régis tem largo tirocínio no campo das letras, cultivando sempre a despretensão de ser poeta, ou de poeta ser sem pretender, pré-ocupado com as dores do mundo, as insignificâncias da alma, os melindres do cotidiano. Trago a insuportável poesia/que não ampara. Extravasa, reverbera, reivindica, protesta e sabe calar quando quer dizer. Compreende que o poeta não pode ir além da poesia. Não interroga o mundo porque desconfia que não obterá resposta. Prefere o caos. Escreve minutas poéticas para não cruzar os braços diante da esfinge. Está lançada a palavra, a queixa, a confissão, o medo, o prazer, a indignação. O poeta presta contas consigo mesmo e finaliza dizendo: Meu corpo ficará sentado/sozinho no coliseu/o primeiro que chegar/pode tomá-lo como seu. Eis o destino dos livros. Felizes os que os encontram.
