Melhores Contos da Editora Global — Aurélio Buarque de Holanda Ferreira — Um nome pouco lembrado no mundo da ficção, mas sempre reverenciado pelos ficcionistas na hora em que se quer encontrar a palavra exata para se expressar — há muito, o nome Aurélio Buarque de Holanda se tornou sinônimo de dicionário. Mas além de lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor, ensaísta, crítico e poeta, ele também foi ficcionista. Neste volume, o leitor terá a oportunidade de conhecer a narrativa do "mestre Aurélio" — como a ele se referiam amigos e intelectuais que foram seus contemporâneos — e perceberá que o seu legado se estende para além das páginas de sua obra mais conhecida. === "Consegue o autor o máximo de utilidade e beleza de uma língua que é bem sua, paciente e amorosamente conquistada. A sua expressão tem um sabor especial que se revela no mais simples dos diálogos, como numa nesga de paisagem ou no recorte de um perfil físico ou psicológico." (...) "Mais de uma vez foi dito que Aurélio caçava palavras como quem caça borboletas. Creio que podemos dizer que Aurélio era também um caçador de solecismos; Carlos Drummond de Andrade depôs sobre esse trabalho silencioso de mestre Aurélio, ou seja, a paciente leitura e a revisão complacente de textos alheios (...) É possível que esse trabalho apostolar obscuro tenha contribuído para que a obra de ficção de Aurélio tenha se restringido ao livro de contos "Dois Mundos", em que está o exemplar "O chapéu de meu Pai". === [Sobre o Autor] Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, lexicógrafo, professor, tradutor, crítico, poeta, ficcionista - revela a dedicação de uma vida inteira voltada às letras. Nascido Aurélio Buarque Cavalcanti Ferreira, a 3 de maio de 1910, no pequeno município alagoano de Passo de Camaragibe, era filho do comerciante Manuel Hermelindo Ferreira e de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira. Passou parte da infância em Porto de Pedras (AL), onde viveu dos 8 meses aos 10 anos, e em Porto Calvo, no mesmo estado. As duas cidades são referidas em "Seu Candinho fiscal" e "Maria Araquã", retratos em que o escritor recorda episódios da meninice. Em 1923, em Maceió, cursou os preparatórios ao Liceu Alagoano, mas interrompeu os estudos para trabalhar, detendo-se em diversas ocupações. Aos 14 anos, iniciou carreira no magistério, que seguiria até quase o fim da vida. Aos 17, lecionava no Ginásio de Maceió. Pouco antes, aos 15 anos, publicou o primeiro soneto em O semeador, jornal da capital alagoana. A década de 1930 foi decisiva para o jovem Aurélio (que, a esse tempo, assinava Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, incorporando ao nome de batismo o sobrenome da família materna). Retomados os estudos, ingressou em 1932 na Faculdade de Direito do Recife, onde se diplomou em 1936; nesse ano, tornou-se professor de português, francês e literatura do Colégio Estadual de Alagoas. Por essa época, travou contato com o grupo de intelectuais formado por Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Valdemar Cavalcanti e outros, que atuaria de modo determinante no cenário cultural do Nordeste. A morte do pai, em 1935, inspiraria dois belos momentos de sua obra ficcional: os contos "O chapéu de meu Pai" e "O balão de S. Pedro". Depois de exercer alguns cargos públicos em Maceió, mudou-se em 1938 para o Rio de Janeiro, cidade que não mais deixaria. Na então capital federal, lecionou no Colégio Pedro II e em outras instituições. Escreveu na imprensa carioca e, de 1939 a 1943, exerceu o cargo de secretário da Revista do Brasil, periódico em que publicou, em 1939, o ensaio "Linguagem e estilo de Machado de Assis". Em 1941, Aurélio dava os primeiros passos na lexicografia, como colaborador do Pequeno dicionário brasileiro de língua portuguesa. Faleceu em 28 de fevereiro de 1989, no Rio de Janeiro, deixando um legado inestimável, fruto de "uma vida plena em todos os sentidos", conforme testemunho de Otto Lara Resende. Suas lições permanecem vivas, renovadas a cada consulta a seu dicionário, a cada leitura que se faça de sua vasta obra.

