Afrânio Peixoto: Romances completos
O livro reúne alguns dos trabalhos literário de Afrânio Peixoto: A Esfinge, Maria Bonita, Bugrinha, Sinhazinha. A Esfinge ******** Afrânio escreveu A Esfinge por ocasião de sua candidatura à vaga de Euclides da Cunha na Academia Brasileira de Letras. Não foi romance de encomenda mas tinha função definida: evitar que se tornasse imortal com apenas um prefácio publicado, isso por que renegava seu primeiro ímpeto literário, o livro Rosa Mística. A Esfinge trata do amor dos primos Paulo e Lúcia, ele escultor, filho do sertão que se educara na Europa, ela pertencente à casta mais elevada da sociedade carioca, frequentadora e anfitriã dos eventos promovidos nos melhores salões da época. A História se passa na maior parte em Petrópolis e no Rio de Janeiro, o que faz com que os conhecedores das ruas do centro da cidade, praticamente caminhem juntos com Paulo em suas andanças angustiadas, no largo da carioca e nas referências à confeitaria Cavé, que hoje em dia não tem mais clientela tão refinada mas que ainda guarda muito do seu charme. Contudo, o caminho de Paulo também o leva a visitar os lugares de sua infância, voltando à Amparo, onde encontra seu irmão, e ao Barro Branco, onde encontra um pouco de alegria. Paulo é introspectivo, indivíduo de sensibilidade exacerbada, um artista, e por isso diferente de seu irmão Pedro, um homem de ação. Identifica-se deste modo o sertanejo, aquele que faz sua própria sorte, que, por pior que se apresentem as dificuldades, sempre toma as rédeas da vida. A Esfinge, enquanto produto dos primeiros anos do século XX, vai apontar algumas da questões discutidas no período, entre as quais se destaca a transição política republicana e a conformação da população brasileira. A questão da política e das artimanhas sociais constituem o contexto em que se desenrola a relação de Paulo e Lúcia, relação atravessada por expectativas e interesses muito diversos do que concebemos como elemento de uma relação amorosa.

